Polícia

Tiro no rosto e corpo no lixo são provas do feminicídio

Delegada Eugênia Villa rechaça tese da defesa de ciúme como motivação
Fonte: Cidadeverde.com/Polícia Civil 02/11/2017 14:43
Delegada de Polícia Civil, Eugênia Villa Delegada de Polícia Civil, Eugênia VillaFoto: Uespi

O tiro que destruiu o rosto da bela estudante universitária Camila Abreu, de 21 anos, na madrugada do dia 26 de outubro passado, efetuado pelo capitão da Polícia Militar do Piauí Allisson Wattson da Silva Nascimento, é mais uma prova de que a condição de mulher da vítima foi o motivo do crime brutal e covarde. A opinião é da subsecretária de Segurança Pública do Estado do Piauí, delegada Eugênia Villa.

"Porque é onde a mulher sorrir, a beleza da mulher, onde ela se maqueia. É quando a gente expressa alegria, tristeza, sedução. Onde a mulher vive. Eles sempre atacam o rosto. Outro indício de feminicídio", defende a delegada, que também rechaça a tese da defesa do acusado que alegou uma suposta traíção, o ciúme, como motivação para a execução da vítima

"O que é o ciúme, se não demonstração de dominação? Ciúme é uma invenção. A dogmática jurídica já tem 68 anos dizendo isso e repetindo. Ciúme agora é a condição do sexo feminino. Ciúme não existe, é uma construção machista, é uma construção que veio lá da legitima defesa da honra. Nós não vamos aceitar isso. Nós queremos a qualificadora do feminicídio. Nós não queremos a qualificadora do motivo fútil expresso pelo ciúme", reagiu a delegada à defesa do acusado capitão afirmou em depoimento.

Outra prova do desprezo do assassino pela vítima foi o local onde ele abandonou o corpo. "O termômetro é o excesso. Foi jogar a estudante no lixo. Você pode até dizer: não delegada, era pelo mau cheiro do corpo. Era namorada dele, ele jogou fora uma coisa, como ele jogou fora o banco do carro, jogou fora tudo... Isso é simbólico do feminicídio", entende a delegada.

Porta dos fundos

A delegada tem defendido a denúncia como principal arma contra a violência doméstica. Quando as mulheres são vítimas de violência doméstica, elas saem de suas casas pela porta dos fundos, com medo do agressor. Colocam geladeiras, colocam sofá, trancam a porta, enquanto elas conseguem sair com os filhos pela porta dos fundos. Aqui [na delegacia] ela vai entrar pela porta da frente e o agressor vai entrar pelos fundos, por onde entram os presos. Isso é simbólico".

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