Política Nacional

Suspenso da Mackenzie por ameaçar matar "negraiada" pede perdão

Pedro Bellintani Baleotii foi demitido do escritório de Direito onde estagiava
Fonte: G1 | Editor: Paulo Pincel 31/10/2018 10:26
Estudante de Direito do Mackenzie Pedro Bellintani Baleotii, de 25 anos Estudante de Direito do Mackenzie Pedro Bellintani Baleotii, de 25 anosFoto: Reprodução/G1

O estudante de Direito do Mackenzie Pedro Bellintani Baleotii, de 25 anos, afirmou que não é “racista, nem preconceituoso, muito menos violento”. A declaração foi dada após a repercussão do vídeo em que ele aparece indo votar com uma camiseta do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) dizendo: “Tá vendo essa negraiada? Vai morrer!”.

“Só queria pedir perdão pelos sentimentos que eu causei nas pessoas que se sentiram até ameaçadas, enfim, agredidas, pela contundência do meu áudio aí completamente infeliz”, disse Baleotii à reportagem da TV Globo pelo telefone nesta terça-feira (30).

Ainda na noite de terça, a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) do DHPP instaurou inquérito policial para investigar o crime de discriminação ou preconceito de raça. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, o aluno envolvido "será convocado para prestar esclarecimentos."

Pedro é estudante do último semestre de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo. Centenas de alunos da instituição protestaram em dois atos durante a manhã e à noite contra as declarações racistas e pedindo a expulsão do rapaz.

Suspensão

A Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo suspendeu o estudante e divulgou nota afirmando que “tais opiniões e atitudes são veementemente repudiadas”. Veja a íntegra:

“A Universidade Presbiteriana Mackenzie tomou conhecimento de vídeos produzidos por um discente, fora do ambiente da Universidade, e divulgados nas redes sociais, onde ele faz discurso incitando a violência, com ameaças, e manifestação racista.

Tais opiniões e atitudes são veementemente repudiadas por nossa Instituição que, de imediato, instaurou processo disciplinar, aplicando preventivamente a suspensão do discente das atividades acadêmicas. Iniciou, paralelamente, sindicância para apuração e aplicação das sanções cabíveis, conforme dispõe o Código de Decoro Acadêmico da Universidade. Benedito G. Aguiar Neto. Reitor"

O Ministério Público de São Paulo também se manifestou sobre o caso e informou que a Promotoria de Direitos Humanos "requisitou a instauração de inquérito policial e também representou junto à comissão de ética da OAB, para apuração da conduta do estudante".

Ao saber do episódio, o escritório de advocacia em que o rapaz trabalhava desde julho como estagiário anunciou sua demissão na noite de segunda-feira (29).

Demissão

Em sua página oficial no Facebook, a empresa publicou uma nota de repúdio. Veja abaixo:

"O DDSA tomou conhecimento, na tarde de hoje, de vídeo que circula nas redes sociais com declarações efetuadas por acadêmico de Direito que fazia estágio no escritório e imediatamente o desligou de seus quadros.

O escritório repudia veementemente qualquer manifestação que viole direitos e garantias estabelecidos pela Constituição Federal".

Repúdio

Nesta terça (30), centenas de estudantes do Mackenzie protestaram contra o conteúdo do vídeo e pediram a expulsão do estudante, além de medidas de segurança por parte da universidade. Os atos ocorrem pela manhã e à noite.

Segundo uma integrante do Coletivo Negro Afromack, que não quis se identificar por questões de segurança, os alunos estão muito preocupados com as declarações porque o rapaz aparece em outro vídeo com uma arma na mão.

“A gente está correndo risco de vida. A gente não pode ir para a faculdade com medo de morrer. A gente pede que ele seja expulso, porque mesmo suspenso ele poderia entrar na faculdade. Não dá para conviver com uma pessoa que fez isso. E ele não pode ser um advogado”, afirmou a estudante ao G1.

“Os próprios colegas do Direito que souberam do vídeo tomaram providências de acionar as instituições. Como tinha uma conotação racial, nós do coletivo tomamos frente do que estava acontecendo. Somos minoria da minoria dentro do Mackenzie e o que a gente pede é que os outros alunos que repudiam o ato se juntem com a gente para que isso não ocorra mais”, disse.

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