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Só há inconvenientes na ideia de Lula ministro

ministro ex-presidente Lula Dilma
Fonte: Brasil 247 10/03/2016 10:36 - Atualizado em 17/10/2016 03:39
Ex-presidente Lula. Ex-presidente Lula.Foto: UOL
O dia de ontem foi tomado pela especulação de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia vir a ser ministro da presidente Dilma Rousseff. Dizia-se que Dilma havia feito o convite e que faltava apenas convencer Lula a aceitar.

Ao longo do dia, o ministro Ricardo Berzoini, da Secretaria de Governo, comparou Lula a Pelé e o deputado Wadih Damous (PT-RJ) afirmou que seria um privilégio para o governo ter Lula como ministro. No entanto, essa possibilidade foi rechaçada pelo senador Renan Calheiros (PMDB-RJ), com quem Lula se reuniu na manhã de ontem.

Como os sinais são contrários, a possibilidade ainda agita o noticiário econômico. No entanto, essa seria uma alternativa que traria apenas inconvenientes, tanto para Lula como para Dilma.

No caso do ex-presidente, a narrativa dominante seria a de que "fugiu" da força-tarefa da Lava Jato, deixando nas garras de Sergio Moro seus parentes e colaboradores do Instituto Lula. Mesmo que se diga que Lula responderá as acusações num tribunal justo, no caso o STF, ficaria a imagem de que as pessoas mais próximas a ele foram abandonadas. Não custa lembrar que, nesta semana, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, recomendou que tanto a filha como a esposa de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) sejam investigadas em primeira instância, embora o pai tenha foro privilegiado.

Para a presidente Dilma, que já vem sendo torpedeada por ter visitado o ex-presidente no último sábado, a acusação – justa ou não – seria de ter aberto seu governo de obstrução judicial, uma vez que a ida de Lula para o governo praticamente anularia a vigésima-quarta fase da Lava Jato. Além disso, com Lula não apenas ministro, mas também candidato oficial ao Palácio do Planalto em 2018, ela estaria praticamente transferindo todo seu poder a Lula.

Lula poderia, sim, ter sido ministro de Dilma, mas não agora. O ideal é que tivesse aceitado fazer parte da equipe no dia 1 de janeiro de 2015, quando Dilma assumiu seu segundo mandato. Àquela altura, já se sabia que a Lava Jato poderia chegar onde chegou. Especulava-se à época que Lula poderia ter sido nomeado chanceler, com a tarefa de "vender o Brasil" no mundo – o que é um papel de todos os chanceleres, embora a prática tenha sido criminalizada como "tráfico de influência internacional".

Lula ministro, nos dias atuais, é uma ideia que faria mal tanto para a biografia do ex-presidente como para o governo da presidente Dilma.

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