Política Nacional

Senadoras ocupam Mesa e impedem votação de reforma

Eunício Guimarães, irritado por não poder abrir a sessão, mandou apagar as luzes do plenário
Fonte: Assessoria | Editor: Redação 11/07/2017 15:38
Senadoras ocupam a Mesa e impedem votação Senadoras ocupam a Mesa e impedem votaçãoFoto: Agência Brasil

No dia marcado para a votação da reforma trabalhista, o povo fica de fora. A entrada de representantes dos trabalhadores, de dirigentes e das centrais sindicais está proibida no Senado Federal Nacional. Nas trincheiras, desde essa segunda-feira (10), senadores da oposição preparam a resistência. Na manhã dessa terça-feira (11), a primeira barricada foi a Comissão de Direitos Humanos. (CDH). A senadora Regina Sousa (PT-PI), presidiu a audiência pública com líderes trabalhistas, magistrados e representantes do Ministério Público do Trabalho. Todos dispostos a resistir até o último minuto contra uma reforma que vai resultar em nada menos que a cassação dos direitos garantidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Marcada para as onze horas, a sessão do Plenário que vai votar a reforma começou com pronunciamentos. Parlamentares de oposição se revezavam tentando alertar sobre o que virá com a reforma e defender os direitos dos trabalhadores. Presidindo a sessão, as mulheres da oposição: Além da senadora Regina, ocuparam a Mesa Diretora as senadoras Fátima Bezerra (PT-RN), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Gleisi Hoffmann (PT-PR). O presidente do Senado, Eunício Guimarães (PMDB-CE) não estava presente. Pelas regras do Senado, qualquer senador pode abrir uma sessão, desde que haja quórum.

Irritado com a resistência feminina, Eunício tentou ocupar sua cadeira e dar início à votação. As mulheres fincaram pé. Eunício mandou desligar o som e apagar as luzes.

Presidenta do PT, a senadora Gleisi dedicou a sessão às trabalhadoras. O texto da reforma aprovado pela Câmara permite que mulheres grávidas e lactantes trabalhem em condições insalubres. “Esta sessão presidida pelas mulheres aqui é em homenagem às mulheres que estão resistindo à reforma trabalhista ou às mulheres que, se essa reforma for aprovada, perderão seus direitos duramente conquistados na história (...) Destino às cozinheiras, às faxineiras, às enfermeiras, às professoras, às agricultoras, às mulheres terceirizadas, às muitas mulheres que trabalham aqui no Senado da República. É a elas que a gente oferece esta sessão aberta pelas mulheres e essa resistência”, disse.

Senadoras no escuro
Senadoras no escuro do Plenário

A senadora Regina Sousa explica que a reforma governista visa a fragilizar a Justiça do Trabalho, enfraquecer os sindicatos e sufocar os trabalhadores. Aos representantes dos trabalhadores que conseguiram entrar no Senado para participar da audiência pública desta manhã, ela pediu que visitassem também os senadores de seus estados e deixassem clara sua posição contra a proposta governista de reforma.

O Senado aumentou as restrições de acesso nesta terça-feira. No corredor chamado túnel do tempo foi colocado um cordão de isolamento para nenhum visitante passar. Funcionários da Câmara também não podem entrar pelo Senado; têm que dar a volta por fora do prédio.

Do lado de fora do Congresso, movimentos sindicais fazem um protesto pacífico contra a reforma trabalhista.

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