Brasil

Resgatada da lama lamenta a perda do marido e dos dois filhos

Paloma Prates da Cunha mal conseguia se mexer para segurar a corda
Fonte: G1 | Editor: Paulo Pincel 02/02/2019 15:03
O resgate dramático de Paloma O resgate dramático de PalomaFoto: Reprodução

A retirada de uma mulher afundada na lama foi uma das imagens mais impactantes do resgate de sobreviventes da tragédia de Brumadinho, na sexta-feira (25). Paloma Prates da Cunha, de 22 anos, mal conseguia se mexer para segurar a corda atirada por um funcionário da Vale.

"Estava muito cansada. Não conseguia me movimentar muito bem. Estava com dor no peito e não conseguia respirar direito", relembra Paloma Prates da Cunha.

A auxiliar de cozinha foi levada ao hospital e ficou 4 dias internada. Ainda se recupera do nariz e do osso esterno (peito) quebrados, e o corpo está cheio de hematomas, escoriações e cortes.

Mas a dor maior é a morte do marido Robson, 26 anos, e do desaparecimento de seu bebê e único filho, Heitor, 1 ano e 6 meses, e da irmã caçula Paola, de 13 anos.

"No momento, a única coisa que eu queria era ter minha família do meu lado. Se alguém souber do meu filho ou irmã entre em contato com a gente", diz Paloma

Todos os quatro estavam em casa, que ficava perto da Pousada Nova Estância, também devastada pelo tsunami de rejeitos da Mina do Feijão. Os corpos do donos da pousada foram encontrados, mas ainda é incerto o número de vítimas entre as dezenas de hóspedes e funcionários.

Os filhos de Paloma estão desaparecidos
Os filhos de Paloma estão desaparecidos

O marido estava de férias, o bebê estava brincando pela casa, e a irmã tinha ido visitá-la.

"Estava em casa com meu esposo, irmã e filhinho e, na hora em que escutei o barulho, não tinha tempo de fazer mais nada. Quando dei por mim, já estava perto daquele lugar", relata Paloma

Paloma conta que não entende ainda como sobreviveu à avalanche de lama. Repetindo que seria retirada por Deus, a auxiliar de cozinha diz ter tomado impulso em um pedaço de madeira e agarrado ao que viu pela frente. Neste momento, entrou em ação o “anjo”, Claudiney Coutinho, funcionário da Vale que fazia manutenção nos trilhos da ferrovia e localizou Paloma. Ele atirou uma corda e pediu para que tivesse calma, para respirar, que ela iria sair da correnteza.

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