Política

Regina quer provas de que Abin não espionou Facchin para blindar Temer

Fonte: Redação 11/08/2017 11:44
Audiência conjunta das comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) e de Direitos Humanos (CDH) Audiência conjunta das comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) e de Direitos Humanos (CDH)Foto: Divulgação

Durante audiência conjunta das comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) e de Direitos Humanos (CDH), nessa quinta-feira (10), a senadora Regina Sousa (PT-PI), questionou o chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Sergio Etchegoyen, sobre a suspeita de que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) tenha espionado o ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Facchin. Apesar de ter negado que a informação não procede, Sergio Etchegoyen admitiu que não tem não tem como provar que a denúncia da revista Veja, publicada no mês de junho relatando ações para blindar o presidente Michel Temer, seja falsa.

O general disse à senadora que não recebeu ordens nesse sentido. “Também não transmiti essa ordem. E tenho absoluta confiança de que a Abin não tomou essa iniciativa”, disse Etchegoyen.

Regina lembrou que a informação se arrastou “como rastilho de pólvora” nas redes sociais e, por isso, talvez merecesse um inquérito ou uma apuração que resultasse em algum tipo de desmentido oficial. “O senhor não acha que é muito pouco para a população, principalmente com esse advento das redes sociais, apenas dizer que não houve? Não teve uma apuração para descobrir a origem dessa informação? Não deveria haver uma coisa mais consistente como resposta”?, questiona a senadora.

O ministro respondeu que o fato de não ter havido qualquer resultado contundente da suposta “blindagem” já é uma forma de resposta. “Não há nenhuma prova para apresentar para lhe dizer eu não fiz. A Abin não fez”, insistiu. Ele queixou-se de que a situação era “perversa”, porque é difícil comprovar uma denúncia que não tem origem.

Reunião

O objetivo da audiência foi o esclarecimento de informações de uma reportagem da revista, que relatava ordem para monitoramento de autoridades. A ordem teria surgido após reunião do presidente Michel Temer com seus assessores mais próximos, incomodados com a atuação de Fachin no acordo de delação premiada dos irmãos Batista (do grupo JBS) e no âmbito da operação Lava-Jato.

O senador Jorge Viana (PT-AC) disse que é preciso esclarecer o que chamou de “episódios gravíssimos de interferência de um poder sobre o outro”. E quis saber se a Abin tinha conhecimento de que o telefone da presidenta Dilma Rousseff estava sendo monitorado judicialmente.

Jorge se referia à divulgação da conversa entre Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por parte do juiz Sergio Moro – para o senador, "a bala de prata do golpe". “Uma gravação feita fora do prazo estabelecido, um crime que impediu a nomeação de Lula como ministro e que, a meu ver, é a fonte da crise que vivemos até hoje”, sustentou.

Etchegoyen respondeu que nesta época ele não estava no governo e que, por isso, o não tinha como esclarecer.

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