Economia

Redução de juros para consumidor será lenta, diz presidente do Itaú

Bracher disse que o apetite por crédito das grandes empresas ainda não voltou
Fonte: Noticias ao minuto | Editor: Redação 11/04/2018 08:33
Imagem ilustrativa Imagem ilustrativaFoto: Reprodução

A redução do spread bancário será paulatina e deve ser buscada de modo sustentável, disse nesta terça (10) Candido Bracher, presidente do Itaú Unibanco.

O spread bancário é a margem de ganho dos bancos nos empréstimos ou a diferença entre o custo de captação dos bancos e o juro cobrado do consumidor.

Em evento do banco, Bracher disse que, embora a taxa Selic tenha caído de 14,25% para 6,5% ao ano ano, questões como a inadimplência e a grande dificuldade de recuperar as garantias dadas nos empréstimos explicam a redução bastante lenta do spread bancário no Brasil.

Reportagem da Folha de S.Paulo mostra que, excluído o juro do cartão de crédito rotativo, a redução do spread das demais linhas é lenta e ocorre apenas desde o último trimestre do ano passado. Segundo Bracher, o spread médio do Itaú é de 10,5% e as linhas que têm custos maiores representam pouco da carteira.

Segundo o executivo, a carteira de crédito do banco é de R$ 550 bilhões, sendo R$ 5 bilhões do cartão de crédito com juros e R$ 4 bilhões do cheque especial – ou seja menos de 2% de toda a carteira.

Bracher disse que o apetite por crédito das grandes empresas ainda não voltou, em grande parte por um fator positivo: as empresas estão recorrendo mais ao mercado de capitais, emitindo papeis e abrindo o capital na bolsa. Nas demais linhas, afirmou, o crédito sobe lenta mas consistentemente

CHEQUE ESPECIAL

Bracher afirmou ainda que as novas regras do cheque especial representam um marco importante e uma forma de melhorar a gestão das contas pessoais e evitar o superendividamento.

Ele disse que a receita do banco poderia ser afetada por taxas juros mais baixas cobradas no produto alternativo ao cheque especial, mas a queda da inadimplência pode compensar isso.

Segundo Bracher, ainda é cedo para ter um cenário mais claro das eleições, mas destacou que o desafio está dado. "Se é difícil avaliar quem será nosso futuro governante, parece ser muito mais simples avaliar quais serão os desafios que ele terá", afirmou. Para ele, a solução parece tradicional: garantir a estabilidade fiscal e as reformas, em especial a da Previdência.

Paulo Caffarelli, presidente do Banco do Brasil, também comentou as novas regras. Segundo ele, a medida contribui para a redução do spread global e permite que o cliente adeque seu endividamento a prazos compatíveis com sua capacidade de pagamento.

"É importante também por estimular o uso consciente do crédito e por ser resultado de autorregulação, o que demonstra o compromisso dos bancos com seus clientes", ressaltou Caffarelli, em comunicado divulgado.

Já o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, afirmou que o novo modelo é um passo importante para um sistema mais eficiente.

"No tempo, vai se converter em mais uma influência positiva na redução do juro ao tomador final, assim como a aprovação do cadastro positivo, a redução dos compulsórios, a modernização da tributação da intermediação financeira e o novo modelo do crédito rotativo do cartão de crédito", afirma.

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