Educação

Polícia Federal negocia com estudantes para acabar com ocupações na UTFPR e UFPR

A PF informou na manhã desta terça-feira (22) que negocia com os estudantes e entidades envolvidas nas ocupações
Fonte: UOL | Editor: Redação 22/11/2016 14:00
Ocupação OcupaçãoFoto: Gazeta do Povo

A PF informou na manhã desta terça-feira (22) que negocia com os estudantes e entidades envolvidas nas ocupações da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e Universidade Federal do Paraná (UFPR) em Curitiba. De acordo com a PF, a negociação busca “a melhor maneira possível para a resolução do impasse”.

A ocupação de nove prédios da UFPR – oito deles em Curitiba – fez a reitoria antecipar o segundo dia da 2ª fase do vestibular da próxima segunda-feira (28) para este sábado (26).

A mudança atinge 9,3 mil candidatos com provas específicas e de habilidades específicas, com exceção do curso de Música. Eles estão sendo informados da alteração por e-mail e SMS. O edital com as mudanças está no site do Núcleo de Concursos (www.nc.ufpr.br). “Levamos as provas para fora da UFPR nos locais onde percebemos que os riscos seriam elevados”, disse o coordenador no Núcleo, Mauro Belli.

A data da prova de Compreensão e Produção de Textos – no domingo 27 – foi mantida para todos os 14.542 candidatos. A prova alterada será realizada nas sedes da PUCPR e dos Colégios Paranaense e Opet. Segundo o núcleo, o custo da locação dos espaços é de R$ 30 mil (absorvido com as inscrições do vestibular). O ensalamento também foi antecipado e será divulgado hoje.

Reintegração de posse

A Reitoria solicitou à AGU (Advocacia Geral da União) a reintegração de posse dos prédios ocupados e um interdito proibitório de unidades essenciais para a realização do vestibular.

“Isto aconteceu porque nossa proposta de diálogo foi infrutí- fera. Ainda há espaço para que obtenhamos uma saída negociada para a desocupação pacífica das unidades […] tivemos que agir para proteger os interesses da UFPR e evitar prejuízos a milhares de pessoas que dependem das unidades ocupadas”, explicou o reitor Zaki Akel Sobrinho.

O campus Centro da UTFPR, também tomado por estudantes contra a PEC 55 (teto dos gastos públicos) e da MP 746 (reforma do Ensino Médio), seguiu ocupado ontem mesmo com nova ordem de reintegração de posse da Justiça Federal e teve as atividades acadêmicas e administrativas suspensas ontem e hoje.

No sábado (19), a Justiça determinou reintegração de posse, a pedido da reitoria da UTFPR, diante da ameaça de confrontos entre estudantes contrários e favoráveis ao protesto. Porém os estudantes não deixaram o local. Houve uma negociação com a universidade sem acordo e os estudantes decidiram manter a ocupação até que a reintegração seja efetivada.

Nessa segunda, cerca de dez estudantes contrários à ocupação, em número menor do que no sábado, se reuniram em frente à instituição. Duas viaturas da Polícia Militar (PM) estão presentes para evitar confrontos.

Segundo Lucas Vidal, representante do movimento UFPR Livre, a intenção dos estudantes contrários é lutar pelo direito de estudar. “Quem tem como lema ‘ocupar e resistir’ está pronto para qualquer coisa. Está pronto para resistir alunos, professores e até a Polícia Federal”, disse. “Se eles pretendem ocupar a resistir, nós também vamos resistir e lutar pelos nossos direitos”, afirma.

Membro do movimento de ocupação, o estudante de pós-graduação da UTFPR Luiz Fisher disse que a derrubada da PEC 55 é a condição central para desocupação. “O que nós estamos esperando para desocupar é o recuo desse governo autoritário que impõe medidas duras sem diálogo”, disse.

Em nota publicada na internet, grupo que ocupa a instituição afirma que não está conseguindo manter diálogo com os estudantes contrários. “Os discursos de ódio estão mais que presentes, são em muitos momentos a base do ‘diálogo’ deles. Pedimos a todas e todos que somem como resistência em nossa manifestação legítima”, disseram os integrantes do Ocupa UTFPR em publicação nas redes sociais.

Segundo Sandroney Fochesato, vice-reitor de administração e representante da comissão de negociação, a ideia principal é promover uma desocupação pacífica. “No sábado à noite e domingo, o dia todo, nós tentamos que houvesse uma desocupação do prédio, antes da reintegração propriamente dita”, explica.

Ainda não há informações sobre quando a reintegração deve ser feita. “A nossa maior preocupação hoje é que as pessoas não se machuquem. A universidade não compactua com nenhum tipo de violência”, disse, afirmando que há também preocupação com o patrimônio, mas, diante dos conflitos, a segurança de todos é prioridade.

Sandroney afirma ainda que a instituição não quer “em hipótese nenhuma” atos de perseguição ou discriminação contra os alunos envolvidos. Porém, possíveis sanções a eles ainda devem ser avaliadas pela área jurídica.

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