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O significado da Páscoa em diferentes religiões

Fonte: Alinny Maria | Editor: Alinny Maria 16/04/2017 07:56
Religiões cristãs comemoraram a ressurreição de Jesus Religiões cristãs comemoraram a ressurreição de JesusFoto: Reprodução

A multiplicidade de religiões caracteriza a sociedade brasileira nos dias atuais. Na Semana Santa, período que antecede a Páscoa, religiões cristãs realizam rituais que relembram a história da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. No entanto, essas demonstrações de fé têm representações distintas em cada igreja.

De acordo com o último Censo, realizado em 2010, a maioria dos brasileiros são católicos, o que corresponde a 64,6% da população. Outras religiões, crenças e doutrinas compõe a diversidade religiosa do país como Evangélica, Espírita, Umbanda e Candomblé, entre outras religiosidades.

Veja o significado da Páscoa em algumas religiões:

Igreia Católica

Representando o catolicismo, o padre Jardel Moreira, da Paróquia Nossa Senhora do Amparo, explica que a Semana Santa para a Igreja Católica é o momento de fé e de reviver os acontecimentos que anteviram a morte de Jesus. “É um momento para refletirmos sobre a morte e ressureição de Jesus que morreu para nos salvar. É a época mais importante para a Igreja Católica, é a preparação para a Páscoa”, frisa padre Jardel .

No catolicismo, antes da Semana Santa há o período da Quaresma, que inicia na Quarta-Feira de Cinzas e segue até o Domingo de Ramos, dia em que é celebrada a entrada triunfal de Jesus na cidade de Jerusalém.

Ainda conforme o padre, a Páscoa consiste no encerramento da Semana Santa. “A Páscoa é a ressureição de Jesus Cristo, é a vitória definitiva da vida sobre a morte, vida nova. Jesus voltou para nos salvar! ”, enfatiza o padre.

Victor Hugo Leal Silva, servo do Jovens Adoradores do Rei (JAR), movimento de adoração ao santíssimo Sacramento, em Teresina, diz que o período que antecede à Páscoa é de muita reflexão. “Tento meditar sobre este grande mistério que é a morte e ressureição de Cristo e explorar ainda mais a minha espiritualidade. Procuro viver a penitência tão pedida pela igreja, como forma de refletir o quanto somos presos a inúmeras coisas nesta vida, e sobretudo como forma de gratidão a Deus”, comenta Victor Hugo.

Padre Jardel diz ainda que entre as práticas mais comuns durante este tempo litúrgico é o jejum e abstinência da carne vermelha na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. "A abstinência de carne é uma forma de viver a Paixão de Cristo. A carne vermelha reflete também o sangue de Cristo derramado ao ser pregado na Cruz”, diz o padre.

É o que segue Victor Hugo: “Procuro seguir as orientações da Santa Igreja Católica, principalmente no que concerne ao jejum e oração. Em relação ao jejum, busco praticá-lo nas quartas e sextas, de modo que, abro mão do almoço, eis que tomo o café normalmente e almoço somente às 16 horas, após rezar o terço da divina misericórdia”, conclui.

Igreja Evangélica

Assim como católicos, os evangélicos também dão importância para a Semana Santa e comemoram a vitória da vida sobre a morte.

De acordo com o Pastor Luís Nunes da Igreja do Evangelho Quadrangular, a Páscoa representa a grande festa da vida, a libertação e novo começo.

“A Semana Santa para nós é um período especial de estudos evangélicos sobre os últimos dias da vida de Jesus. Celebramos de forma bíblica, mas sem jejum e abstinências. O Domingo de Páscoa representa a salvação da humanidade diante de seus pecados”, explica o pastor.

Priscila Caldas faz parte da Igreja Batista da Ressurreição, para ela a Páscoa é um memorial anual, em que é relembrado o sofrimento e morte de Jesus por causa dos nossos pecados.

“A Páscoa também é uma comemoração pela ressurreição de Jesus após três dias de ter sido declarado morto. Mas além desse memorial anual, tem também os mensais, a Santa Ceia, que é uma ordenança de Cristo para a Igreja”, diz Priscila.

Espiritas


O espiritismo crer que a alma, ou o espírito, continua viva após a morte. O Brasil é o país com o maior número de espiritas do mundo, com 3,8 milhões brasileiros segundo o IBGE.

Maria Conceição Paraíba explica que não existe Semana Santa na doutrina Espírita. “Para nós os dias da Semana Santa são como dias comuns, seguimos nossa programação normal. Não concordamos em ter que relembrar todos os anos o sofrimento de Cristo, ter que reviver toda a tragédia. A Páscoa em si perdeu seu real significado, para nós a Páscoa significa passagem, foi a libertação dos Hebreus escravizados no Egito”. conclui a espirita.

Judeus

Segundo o judeu Eliezer Menda, não há comemoração da Páscoa no Judaísmo. “A Páscoa na verdade não tem um significado especial para nós. Porem neste mesmo período celebramos o Pessach, que é alusivo ao período em que fomos libertados da escravidão no Egito. Para nós tem um significado que podemos traduzir como passagem para liberdade”, explica o judeu.

O Pessach remete a fatos ocorridos há cerca de três mil e trezentos anos atrás, tempo em que o povo hebreu estava escravizado no Egito. A Torá, o primeiro e mais sagrado dos três livros que compõem a Bíblia judaica, fala da intervenção divina para libertá-lo. Moisés foi o instrumento desta libertação. A data significa, então, a libertação do povo judeu do cativeiro do Egito.

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