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Medalhista Olímpica Rafaela Silva quer blindagem após queda

Para mudar o panorama, quer se impor uma completa blindagem de 2018 até 2020, quando serão disputados os Jogos de Tóquio.
Fonte: Folha de São Paulo | Editor: Redação 02/10/2017 09:14
Rafaela Silva Rafaela SilvaFoto: Diário do Nordeste

Por seus golpes e sua história, Rafaela Silva, 25, deixou os Jogos Olímpicos do Rio-2016 como uma das mais badaladas medalhistas da delegação brasileira. Passado mais de um ano da conquista do ouro, a atleta se tornou uma espécie de vítima de seu próprio sucesso. Para mudar o panorama, quer se impor uma completa blindagem de 2018 até 2020, quando serão disputados os Jogos de Tóquio.

Sem deixar de reconhecer sua parcela de culpa, Rafaela teve um 2017 muito menos produtiva do que a temporada anterior. Sobretudo nas principais competições. A carioca, que luta na categoria peso leve (até 57 kg), foi a quinta colocada no Grand Slam de Paris, em fevereiro, e caiu logo na primeira rodada do Mundial de Budapeste, em agosto.

No torneio na Hungria, ela ainda obteve uma prata na disputa mista por equipes, mas em quatro lutas venceu duas e perdeu outras duas. Rafaela atribui o desempenho inconstante à falta de conciliação na agenda, entre compromissos dentro e fora do tatame. Passada a euforia olímpica, ela se divide entre a necessidade de capitalizar a visibilidade adquirida e não perder o foco esportivo.

"Por causa de muitos eventos e entrevistas, ainda não consegui retomar minha rotina de treinos como fazia antes dos Jogos Olímpicos", afirmou a judoca à Folha. Ela mesma exemplificou o descompasso. Antes da Olimpíada do Rio, manteve uma rotina de cinco a seis dias semanais de treino na sede do Instituto Reação, seu clube, onde treina na cidade.

Quando se reapresentou, no dia 5 de janeiro, para iniciar as atividades, já teve de parar para fazer 12 palestras consecutivas em cidades do interior de São Paulo. No restante do ano, conseguiu emplacar no máximo três treinos em uma mesma semana. "Para o pouco que eu treinei, 2017 até que foi bom. Só poderia ter ido um pouco melhor no Campeonato Mundial", disse a campeã olímpica.

O Brasil saiu do evento na Hungria com cinco medalhas. Além da prata por equipes mista, Mayra Aguiar sagrou-se bicampeã mundial na categoria meio-pesado (até 78 kg) -os outros pódios vieram com os pesospesados David Moura (prata) e Rafael Silva (bronze) e com a meio-leve Érika Mirada (também vencedora de um bronze). "Eu brinquei com a Mayra: 'Graças a Deus. Tenho que agradecer de joelhos por você ter sido bicampeã, porque fica em evidência e eu posso descansar e voltar aos treinos'", disse Rafaela.

A judoca terá pelo menos três campeonatos ainda neste ano, até o recesso para 2018. Mas não quer esperar tanto para mudar a atitude. Ela e a CBJ (Confederação Brasileira de Judô) têm traçado um plano de blindagem para que os compromissos não afetem a sua performance. Até porque não quer correr o risco de ficar fora dos Jogos de Tóquio, em 2020. A

tualmente, Rafaela ocupa a sexta posição no ranking mundial até 57 kg e há um longo caminho até a definição das atletas para a Olimpíada. Porém, o objetivo é não se desgarrar das adversárias. "Agora sou mais estudada. Preciso ter um diferencial e chegar mais preparada às competições.

E não me sinto bem preparada hoje para entrar em um grande campeonato", reconheceu a atleta, campeã mundial em 2013 e vice em 2011. "Se hoje eu estou dando entrevista, é por causa do judô. Não posso esquecer o que me trouxe até aqui."

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