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Marcelo Castro defende reforma da Previdência e diz que sem ela o Brasil quebra

Senador considerada a reforma uma prioridade para o país, mas acha que ela só será aprovada com alteração no projeto do governo
Fonte: Senador Marcelo Castro | Editor: Luiz Brandão 06/04/2019 21:15
O senador Marcelo Castro O senador Marcelo CastroFoto: Agência Câmara

(*) Por Luiz Brandão

De Teresina (PI) - O senador Marcelo Castro (MDB/PI) é um dos políticos favoráveis à reforma da Previdência no Brasil. Mas ele garante que é contra o corte de qualquer benefício aos trabalhadores rurais e idosos sem renda. Ele defende "uma aposentadoria básica" para todos e acredita que o projeto da reforma previdenciária, enviada ao Congresso Nacional pelo Governo Bolsonaro, será aprovado, mas com várias modificações.

Em entrevista que me concedeu no início da semana, durante solenidade no Palácio de Karnak, o senador e ex-ministro da Saúde, explicou que a reforma da Previdência não é apenas um "querer de A ou B" e sim uma necessidade para ajudar o país sair da enorme e duradoura crise econômica em que se encontra.

A seguir, a íntegra da entrevista do senador.

REPÓRTER (R) - Senador, o senhor acredita que a reforma da Previdência passa no Congresso Nacional?

MARCELO CASTRO (MC) - Eu entendo que esse é um sentimento nacional porque atinge a toda a sociedade brasileira. É o assunto mais debatido hoje no país, especialmente pela classe política. A reforma da Previdência é uma necessidade inadiável do país. Aprovar essa reforma é um ato patriótico e de grande responsabilidade política e social, porque sem ela os horizontes do país se fecham e com ela os horizontes do País se abrem para os rumos da prosperidade, dos investimentos, do crescimento, da geração de empregos e da melhoria de renda.

R - E essa prosperidade só se dará com a reforma da Previdência?

MC - Não só com ela é claro. Mas essa reforma abre uma ampla janela de boas perspectiva para do Brasil. O país não pode ficar do jeito que está, nessa crise profunda que vem passando há vários anos. Se a reforma da Previdência não passar haverá uma sinalização muito negativa para todos. Não se vai acreditar no país, no desenvolvimento, num modelo que não tem boas perspectivas, no que não existe e não vai gerar emprego.

Marcelo Castro fez campanha nas ruas prometendo defender os pobres
Em 2018 Marcelo foi às ruas prometendo defender os interesses do povo

R - Mas será aprovado o projeto do jeito que o governo enviou ao Congresso?

MC - Não. Ele vai melhorar. A chance da reforma passar sem alterações no projeto original não existe, não passa. Todo projeto que chega à Câmara e ao Senado é modificado. Não existe esse projeto que entrou e saiu limpo, sem alterações. É evidente que nós vamos fazer modificações em vários pontos.

R - Quais são os pontos mais suscetíveis às alterações pelos congressistas?

MC - Pelo menos uns quatro ou cinco já estão recebendo sugestões de mudanças. No meu caso aqui, por exemplo: eu jamais voltarei e aprovarei qualquer coisa que venha prejudicar o trabalhador rural. Eu tenho a aposentadoria rural como a coisa mais importante, do ponto de vista social, que já foi criada no Brasil desde que Pedro Álvares Cabral chegou aqui. A aposentadoria rural trouxe dignidade ao homem do campo, aos velhos, coitados, que perdem a capacidade laboral e não tem mais condições de cortar de machado ou de puxar uma enxada.

R - E que mudança foi mais notada depois da aposentadoria rural?

MC - Antes desse benefício esses trabalhadores mais idosos eram como um peso para a família. Eles viviam na dependência dos filhos, do netos, dos irmãos, dos genros e de outras pessoas. Passavam por maus-tratos na casa de um, eram humilhados na casa do outro. Hoje não. Hoje eles vivem com dignidade, de cabeça erguida, são respeitado por todos, especialmente pela família; os netos têm prazer em visitar os avós porque eles têm aquela renda certa. No lugar que não se tem renda certa isso é difícil. Aqui no Nordeste, por exemplo, ter essa renda certa faz com que haja essa agregação familiar, fundamental para a pessoa viver os seus últimos anos de vida com dignidade.

R - E fora o esse que trata das aposentadorias rurais, qual outro ponto é ruim?

MC - Eu acho que o governo não foi feliz quando mexeu no Benefício de Prestação Continuada, o BPC, diminuído o valor do salário mínimo para apenas 400 reais. O argumento do governo de que está baixando a idade para 60 anos para compensar o valor não é bom. O valor proposto é quase uma esmola. Acho que isso não vai prosperar também.

R - E o que mais se pode esperar da reforma da Previdência?

MC - Fora alguns pontos como os que já falei, considero que, no mais, a reforma é boa, ampla e vai fazer a economia que o país precisa e, sobretudo, vai dar confiança e esperança para o país trilhar um caminho de prosperidade.

Marcelo em debate na TV na campanha de 2018
O senador Marcelo Castro em debate com correntes na TV durante a campanha eleitoral do ano passado

R - Na opinião do senhor, qual o ponto mais negativo da proposta da reforma?

MC - O ponto mais negativo da proposta da reforma é o que trata da aposentadoria dos militares. No projeto, ficou parecendo que o Brasil é constituído de apenas duas categorias: os militares e os demais. Eu defendo que deveria ter uma aposentadoria básica e universal para todos os brasileiros, fosse ele militar, professores, educadores, juízes magistrados, políticos, senador. Depois desse valor igual, quem quisesse, poderia recorrer a alternativas para complementar o valor da aposentadoria.

R - Quase todo argumento para justificar a reforma de baseia no "déficit". Esse déficit não é fruto da sonegação?

MC - Não. O déficit existe mesmo. A sonegação existe em todas as atividades e em todos os campos da administração pública do Brasil. O déficit da Previdência existe e hoje é de aproximadamente 300 bilhões de reais. Daí você imagina que o país poderia fazer se isso não existisse... quanto poderíamos melhorar os hospitais, as escolas, os salários dos professores, as estradas, as hidrovias, ferrovias. Seria fantástico para desenvolver o nosso país, mas o descuido que houve ao longo da nossa história terminou levando a essa situação.

R - E qual a alternativa à essa reforma?

MC - Não tem. Agora não tem o que fazer. É reforma da Previdência. Não tem essa de não fazer, porque se não fizer estarão quebrados a União, os estados e os municípios. E no final de tudo, todos nós sairemos perdendo. Pode acontecer aqui o que já aconteceu em vários países. Podemos chegar ao ponto do país não ter um centavo para investir e tudo que arrecadar terá que ir para pagar os aposentados e pensionistas. E chega um ponto que não vai ter dinheiro nem para pagar os aposentados. Evidentemente que nós não podemos deixar que isso aconteça no Brasil.

(*) Luiz Brandão é jornalista e editor e repórter do portal WWW.PIAUIHOJE.COM

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