Brasil

Maioria dos professores que atua na Educação Infantil não tem formação

pesquisa educação infantil revela
Fonte: abril 28/09/2012 18:08 - Atualizado em 17/11/2016 12:23
A Fundação Victor Civita (FVC), em parceria com a Fundação Carlos Chagas (FCC), desenvolveu o estudo “A Gestão da Educação Infantil no Brasil”, com o objetivo de entender o cenário desta fase educacional, que tem matriculados 18,4% dos brasileiros até 3 anos e 80% das crianças de 4 a 6 anos.

“As vivências que acontecem nos primeiros anos de vida são marcantes para o desenvolvimento integral da criança, portanto, os adultos responsáveis por educar crianças de até seis anos em creches e pré-escolas deveriam ser muito bem formados”, afirma Angela Dannemann, diretora-executiva da Fundação Victor Civita. “A eles cabe promover ações com a finalidade de ampliar o conhecimento das crianças de si e do mundo, facilitar o acesso a diferentes linguagens e a aquisição de autonomia para participar de atividades individuais e coletivas”, explica.

Entretanto, o cenário revelado pela pesquisa da FVC é muito diferente do ideal: 65% dos professores que atuam nessa área não tem nenhuma qualificação para trabalhar com crianças da faixa etária atendida – de 4 meses a 6 anos. Além disso, os auxiliares – também chamados de assistentes, cuidadores e recreacionistas – têm concluído, em geral, apenas o Ensino Médio. O problema é que em muitos momentos, o auxiliar fica sozinho com a turma, sem ter qualquer tipo de formação ou planejamento para trabalhar com os pequenos.

“Lidar com as especificidades das crianças pequenas requer muito estudo, o que nem sempre é garantido nos cursos de formação inicial, nem oferecido na formação continuada. Além disso, também é necessário que professores e auxiliares dediquem tempo para planejar conjuntamente as ações com as crianças, momento que muitas vezes não existe na rotina desses profissionais”, comenta Angela. “Para que essa qualificação e integração dos profissionais aconteçam é fundamental que as instituições redes de ensino assegurem e valorizem o espaço e tempo necessários para essas atividades.”

O levantamento também revelou que, em muitos casos, a figura do diretor nem sempre existe na Educação Infantil. Já, nas escolas onde o gestor existe, muitas vezes a Educação Infantil não recebe a devida atenção do profissional, por coexistir com outras etapas de ensino. Outro fator relevante apontado pelo estudo é que em nenhum dos munícipios pesquisados os diretores eram concursados: sendo que pouco mais de 10% haviam assumido o cargo por indicação e 46% assumiram por meio de eleição.

“O ideal é que cada creche e pré-escola tenha um gestor presente que olhe e responda por tudo o que lá acontece. Para tanto, é preciso que as redes, além de criar o cargo, definam com clareza as responsabilidades e ofereçam meios democráticos de seleção e formação específica desses profissionais, bem como o acompanhamento desta última”, comenta Angela.


Sugestões FVC

Com objetivo de aprimorar a Educação Infantil no Brasil, a FVC reuniu especialistas para identificar soluções aos problemas constatados e separou as sugestões de melhorias por órgãos governamentais:

Ministério da Educação

Incluir no Censo Escolar um campo para identificar as unidades de Educação Infantil anexas a escolas do Ensino Fundamental e aprimorar os tutoriais em relação ao preenchimento desses dados;

Elaborar indicadores educacionais para o segmento que sejam acessíveis e fáceis de entender para os dirigentes e o público em geral.

Poder Executivo Municipal

Desenvolver estratégias efetivas que garantam transparência na divulgação e monitoramento das informações e dados da administração, assim como da legislação do setor.

Secretarias Municipais de Educação

Capacitar os técnicos e equipes de Educação Infantil para usarem as bases nacionais de dados e organizarem as informações sobre taxas de cobertura de atendimento por faixa etária, distrito e bairro;

Elaborar diagnósticos, tendo como base os levantamentos realizados que apontem o direcionamento das decisões sobre a construção de unidades, atendimento da demanda, critérios de matrículas e definição de períodos diários de funcionamento (parcial e integral);

Divulgar ao público os critérios de matrícula e percentuais de atendimento por etapas – creche e pré-escola – da rede municipal e conveniada.

Conselho Municipal de Educação

Desenvolver normas objetivas que facilitem a fiscalização local sobre os padrões básicos de qualidade para a Educação Infantil, considerando a legislação e os documentos orientadores do MEC e do Conselho Nacional de Educação (CNE);

Estabelecer mecanismos e procedimentos para cancelar a autorização de funcionamento de instituições de Educação Infantil que não cumpram os critérios básicos de funcionamento.


Metodologia

Para realizar a pesquisa, a FVC analisou 180 escolas públicas e conveniadas de seis capitais brasileiras. Os pesquisadores também realizaram entrevistas com técnicos das Secretarias de Educação, gestores e membros das comunidades sobre diversos temas, como: políticas municipais da área, formação do diretor e modelos de gestão escolar. Após este processo ser finalizado, os pesquisadores também observaram o cotidiano de quatro escolas.


Sobre a Fundação Victor Civita

A Fundação Victor Civita foi criada em 1985, como uma das primeiras iniciativas brasileiras no campo social. Desde então, sua missão tem sido contribuir para a melhoria da qualidade da Educação Básica no Brasil, produzindo conteúdo que auxilie na capacitação e valorização de professores e gestores e influencie políticas públicas.

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