Economia

Imposto efetivo pago por super rico é menor que o de rico, diz Receita

Eles representam apenas 0,1% daqueles que declararam o IR de 2015 e pagaram alíquota efetiva de imposto de 9,1%
Fonte: Folhapress | Editor: Redação 10/05/2017 13:07
Receita Federal Receita FederalFoto: Reprodução

Os muito ricos, os que estão na ponta da pirâmide social brasileira, pagam proporcionalmente menos Imposto de Renda do que os ricos.

Super ricos são aqueles que tiveram, em 2015, renda média mensal tributável de R$ 135 mil, segundo dados apresentados pelo secretário da Receita Federal, Jorge Rachid.

Eles representam apenas 0,1% daqueles que declararam o IR de 2015 e pagaram alíquota efetiva de imposto de 9,1%.

Já alíquota efetiva dos ricos, aqueles com renda tributável média de R$ 34 mil -e que são 0,9% do total de contribuintes- foi de 12,4%.

A desigualdade no andar de cima da população já foi descrita em estudo do Ipea, do pesquisador Marcelo Medeiros, que investigou os dados do Imposto de Renda.

Rachid apresentou os dados durante audiência pública no Senado, nesta terça (9).

O objetivo era discutir correções no sistema tributário brasileiro.

Somando ricos e super ricos, essa camada da população tem renda renda 240% superior ao da metade de baixo da pirâmide. Ou seja, os 10% do topo têm renda tributável equivalente a 3,4 vezes à da metade mais pobre.

Os super ricos também concentram 14% da renda dos 10% mais ricos.

Os dados consideram apenas as informações de quem declarou Imposto de Renda em 2016, referentes à renda auferida em 2015. Excluem os isentos e aqueles que deixaram de prestar contas com a Receita Federal.

Na camada de baixo da distribuição, a maior parte dos contribuintes do Imposto de Renda têm renda mensal de até R$ 2.812.

Eles representam 50% dos 27,518 milhões de contribuintes que entregaram declaração de IR no ano passado.

RENDIMENTOS ISENTOS

Um dos motivos apresentados por Rachid para a diferença de tributação entre os ricos e os super ricos é a incidência de rendimentos isentos no topo da pirâmide.

Os rendimentos isentos representam 41% da renda bruta da população 0,1% mais rica. Já entre os 0,9% mais ricos, a fatia dos rendimentos isentos é de 28%. Muitos dos rendimentos dos super ricos são lucros, dividendos e investimentos financeiros que têm isenção de impostos.

O percentual de isenções dos super ricos é só um pouco inferior ao da metade de baixo da pirâmide, o que denota as distorções distributivas do sistema de tributação do país. As isenções correspondem a 49% dos rendimentos da metade de baixo dos declarantes.

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