Política Nacional

Funaro revela repasses de R$ 13,5 milhões a Cunha e Temer

Fonte: Redação 09/09/2017 10:22
O operador Lúcio Bolonha Funaro O operador Lúcio Bolonha FunaroFoto: Lula Marques/Folha imagem

Homologada pelo ministro Luiz Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), a delação do doleiro Lúcio Funaro coloca o presidente Michel Temer em apuros. Funaro era o operador de propinas do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e afirmou na delação que Michel Temer "sempre soube" de todos os esquemas do ex-deputado Eduardo Cunha. “Temer participava do esquema de arrecadações de valores ilícitos dentro do PMDB. Cunha narrava as tratativas e as divisões [de propina] com Temer”, afirmou Funaro na delação, segundo a revista Veja.

O delator citou repasses que somaram R$ 13,5 milhões: R$ 1,5 milhão do grupo Bertin, R$ 7 milhões da JBS destinados a Temer, Cunha e ao então ministro da Agricultura, Antônio Andrade. Temer também teria negociado o pagamento de R$ 5 milhões de Henrique Constantino, do Grupo Constantino, à campanha do então deputado Gabriel Chalita à prefeitura de São Paulo, em 2012.

O doleiro admite que nunca conversou diretamente com Temer sobre a propina e que esse contato era feito pelo próprio Eduardo Cunha, que o informava sobre a divisão da propina.

Com a homologação pelo STF, a Procuradoria Geral da República poderá os fatos delatados pelo doleiro nas investigações envolvendo os processos a que o colaborador está envolvido, podendo basear acusações contra parlamentares, ministros do governo e o presidente Michel Temer.

Funaro é processado pela Justiça Federal em Brasília em três investigações da Polícia Federal (PF) – Greeneld, Sépsis e a Cui Bono – que envolvem suspeitas de desvios de recursos públicos e fraudes na administração de quatro dos maiores fundos de pensão de empresas públicas do país: Funcef (Caixa), Petros (Petrobras), Previ (Banco do Brasil) e Postalis (Correios). O empresário também foi citado nas delações da JBS. Funaro é testemunha-chave em processos que envolvem o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e os ex-ministros Henrique Eduardo Alves e Geddel Vieira Lima.

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