Política

Regina: fim do imposto sindical será sentido em março

Regina Sousa relembrou hoje a história de luta dos sindicatos no Piauí.
Fonte: Samia Menezes | Editor: Da Redação 24/11/2017 15:30
Senadora Regina Sousa Senadora Regina SousaFoto: Ascom


Um alerta para as entidades sindicais do Piauí e de todo o Brasil: elas começarão a sentir, a partir de março de 2018, o peso do fim do imposto sindical que começou a vigorar com a Reforma Trabalhista. Quem chama a atenção é a senadora Regina Sousa (PT-PI), que na manhã desta sexta-feira (24), participou com palestrante do curso da Rede de Educadores Populares no Memorial Esperança Garcia, em Teresina.

Em vigor desde o dia 11 de novembro, a reforma trabalhista representa a primeira grande mudança para os sindicatos brasileiros em 80 anos. Segundo estudo do pesquisador André Gambier Campos, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o fim da contribuição obrigatória, prevista na nova legislação, representará uma queda de mais de 60% da arrecadação dos mil maiores sindicatos do país, aqueles com dez ou mais funcionários.


A Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior do país, estima perda de 35% da receita com o fim do imposto sindical. "É a central menos dependente do imposto e sempre defendeu o fim da contribuição compulsória. Tem principalmente sindicatos de servidores públicos, que não descontam a contribuição compulsória, mas repassam parte das mensalidades do sindicalizados à central. Os outros sindicatos da central também repassam parte das mensalidades", observa Quintino Severo, diretor de Finanças da CUT nacional.


Regina Sousa relembrou a história de luta do movimento sindical no Piauí. "Sou fruto das oposições sindicais, no meu caso oposição ao Sindicato dos Bancários. Cartazes eram feitos de papéis que iam para o lixo no Banco do Brasil e eu recolhia", lembrou. "Não é que tenhamos saudade, mas é para vocês saberem o sacrifício que a gente já viveu. Eu me vejo voltando ao passado nas lutas porque a gente trabalhava sem ter recurso. Lembro que fomos fundar a CUT em São Paulo. Éramos cinco mil delegados num galpão, num frio de doer, e nós dormíamos no chão. Colocávamos colchonetes bem fininhos e era assim que a gente dormia, encostado um no outro pra passar o calor. E era uma alegria, uma vontade, em plena ditadura militar", contou.


A parlamentar fez algumas críticas às políticas defendidas pelo atual governo, dentre elas os cortes orçamentários, e chamou os educadores populares a participarem da luta. "É necessário tempo para o movimento. Como dizia Guimarães Rosa, o que a vida quer da gente é coragem", concluiu.

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