Saúde

Evangelina Rosa discute cardiopatia congênita

Um encontro foi realizado na maternidade para tratar do tema.
Fonte: CCOM | Editor: Redação 13/06/2017 12:27
Maternidade Evangelina Rosa Maternidade Evangelina RosaFoto: Ascom Sesapi

Em um relato emocionante, durante o I Encontro Dia de Conscientização da Cardiopatia Congênita, realizado nessa segunda-feira (12), na Maternidade Dona Evangelina Rosa, a mãe do pequeno Fábio, de 1 ano e 7 meses, Leni Cristina, contou a história do filho que nasceu na maternidade, onde foi diagnosticado com cardiopatia congênita.

“Quando o Fábio teve a primeira crise, disse ao Dr. Luís Carlos, cardiologista pediátrico, que meu filho ia viver. Tudo que o senhor disse que o que for preciso, vou fazer, porque Deus me deu o Flávio e não vai tirá-lo de mim. E ele me tranquilizou que tudo que pudesse ser feito pelo bebê iria ser feito”, disse a mãe, relatando que o filho passou três meses na maternidade até ser levado para Recife, onde fez a primeira cirurgia. “Da lá pra cá, sempre tive todo apoio e disponibilidade pra cuidar do meu filho”, completou Leni.

O cardiologista pediátrico Luís Carlos lembrou que acompanhou o caso do pequeno Fábio e se sentiu muito feliz por isso. Pacientes como esse mostram que a cardiologia pediátrica não é a mesma de 20 anos atrás. “O fator determinante é o diagnóstico precoce, se possível, intra-útero. Momentos como esses, de estar discutindo esse assunto, já é muito importante para nós. Um grande pontapé”, destacou o médico, agradecendo aos profissionais da Evangelina Rosa por proporcionarem o momento de discussão. “Esse é um momento de termos consciência da importância desse tema”, disse Luís Carlos. Ele afirmou que o índice de casos da doença não está acima do esperado, inclusive abaixo de outros estados.

Apenas em 2016, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi), por meio da maternidade, atendeu 4.675 recém-nascidos, com a realização do Teste do Coraçãozinho, onde, do total, 18 apresentaram alterações. Até maio deste ano já foram realizados 2.124 testes, com sete alterações.

A enfermeira da Evangelina Rosa, Elisangela Lima, mostrou dados da análise de triagem referente a janeiro de 2013 até maio de 2016. Ela informou que, em média, um a dois, a cada mil nascidos vivos, apresentam cardiopatia congênita crítica, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria. A profissional destaca a importância primordial do Teste do Coraçãozinho.

Atendimento

O coordenador da Rede de Urgência e Emergência da Secretaria de Estado da Saúde, médico Telmo Mesquita, falou da implantação de mutirão para realizar cirurgias de cardiopatia congênita, anunciado na semana passada pelo secretário de Estado da Saúde, Florentino Neto, durante reunião com o Fórum da Primeira Infância.

Ele frisou que tanto o secretário como governador Wellington Dias estão empenhados com a questão dos casos de cardiopatia. O coordenador falou que Florentino Neto conheceu uma experiência do estado da Paraíba e Alagoas em relação às cirurgias cardíacas neonatais e como um todo. “Lá eles criaram uma Rede de Atenção à Cardiopatia Congênita, que nós vamos fazer aqui também”, anunciou Telmo. “Nossa intenção é minimizar a aflição dessas mães”, ressaltou Mesquita.

Florentino Neto designou uma comissão de médicos para estudar a viabilidade de se implantar mutirões cirúrgicos para atender as crianças cardiopatas com o objetivo de implantar um serviço, até o primeiro momento, em regime de mutirão, sazonal para atender universalmente e integralmente.

O diretor técnico da Evangelina Rosa, Marcos Bittencourt, lembrou que a maternidade já abraça a causa, antes mesmo da implantação do Teste do Coraçãozinho, em 2014 pelo Ministério da Saúde. Foi nesse momento, disse o diretor, que a MDER passou a ter uma dimensão maior da necessidade de implantar um serviço no nosso estado.

“O serviço de cardiologia quando envolve intervenção cirúrgica é complexo”, lembrou o médico ao relatar um pós-operatório de uma criança. “Tivemos que designar uma equipe diuturnamente para atender ao bebê. São medicações e avaliações feitas constantemente. Isso nos faz entender a dificuldade de se implantar o Serviço de Cardiologia”, comentou Bittencourt, ressaltando que irá trabalhar para que, no futuro, a Evangelina disponibilize de uma UTI Cardiológica. “Trabalhamos sempre pensando no futuro”, completou o profissional.

A roda de conversas contou com a presença do defensor público da Saúde da Defensoria Pública do Estado do Piauí, Rogério Newton, que falou do papel do defensor público na assistência a crianças com cardiopatia. Ele disse que atende pessoas que precisam de medicação, tratamento, transferência de hospital ou qualquer outro problema de saúde em que seja necessária a intervenção da lei, direitos e justiça.

“Fazemos esse trabalho não só em relação às crianças, mas o cidadão em geral”, explicou Newton, destacando que a saúde é direito de todos. “Esse trabalho que faço junto a profissionais da saúde é muito importante. Por onde tenho andado tenho encontrado pessoas dedicadas”, comentou o defensor.

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