Saúde

Entidades de saúde lançam cartilha para médicos e enfermeiros

Entidades de saúde organizaram principais dúvidas para combater 'fake news' que confundem profissionais da saúde e pacientes.
Fonte: Bem Estar | Editor: Redação 07/04/2018 11:45
Médico MédicoFoto: Elton Fernandes

Cinco entidades de saúde lançaram ontem sexta-feira (6) uma cartilha sobre a vacinação contra a febre amarela. (Clique aqui para baixar a cartilha.) A publicação é direcionada a médicos e enfermeiros e visa combater as notícias falsas que confundem profissionais e pacientes e evitar que pessoas que deveriam ser vacinadas fiquem sem tomar o imunizante.

Segundo o documento, o Ministério da Saúde endossa as recomendações dadas e convoca médicos e profissionais de saúde a orientarem seus pacientes a se vacinarem, desde que não haja contraindicações.

"O objetivo é evitar a má-informação que está circulando. Muito do que corre na 'boca do povo' não está adequado", diz Marta Heloísa Lopes, professora de doenças infecciosas da Faculdade de Medicina USP, que ajudou na elaboração do roteiro

Participaram da redação do roteiro a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Quem pode tomar a vacina?

De modo geral, a vacina da febre amarela é indicada para todos entre nove meses e 59 anos de idade, mas as excessões à vacina não são simples de serem estabelecidas e podem confundir profissionais (veja abaixo a orientação em casos específicos). Soma-se a isso o fato de que notícias falsas também atingem profissionais de saúde, que acabam ficando ainda mais confusos sobre as indicações.

Pessoas com doenças crônicas sem imunosupressão também podem ser vacinas sem restrição.

E a dose fracionada?

Segundo a cartilha, não há problemas no uso da dose fracionada. Ela é usada com apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera a estratégia "fundamental na contenção de surtos da doença".

A dose fracionada permite o aumento da cobertura da vacina em um curto período de tempo, prevenindo o surgimento de novos casos.

A segurança da vacina

As principais reações à vacina são leves, sendo as mais comuns: dor, mal estar, cansaço, febre em geral baixa, dor de cabeça e dor muscular. Apenas 5% dos vacinados são afetados pelas reações.

A cartilha é clara: "O risco de eventos adversos graves é raro se comparado ao risco de adquirir a doença em área com transmissão".

Veja abaixo as indicações da cartilha para médicos e enfermeiros:

1. Está utilizando alguns destes medicamentos:

Infliximabe, etanercepte, golimumabe, certolizumabe, abatacept, belimumabe, ustequinumabe, canaquinumabe, tocilizumabe, secuquinumabe, natalizumabe, vedolizumabe, medicamentos vepletores de células B, ciclofosfamida, ciclosporina, tracolimus, azatioprina, micofenolato, tofacitinibe?

Sim - Não tomar a vacina e procurar avaliação médica.

2 - Já apresentou reação de hipersensibilidade grave a algum componente da vacina ou alergia grave comprovada ao ovo?

Sim – Não vacinar.

3 - Tem história pregressa de doença do timo (miastenia gravis, timoma)?

Sim - Não vacinar.

4 - É portador de doença autoimune, como lúpus, doença de Addison e artrite reumatoide?

Sim - Não vacinar e encaminhar para avaliação médica.

5 - Vive com HIV/Aids?

Sim - Vacinar quando em tratamento e com contagem de CD4 maior a 350 células por mm3 de sangue

Não vacinar quando não há tratamento ou quanto a contagem de CD4 for inferior a 350 células por mm3 de sangue.

6 - Está ou esteve fazendo tratamento de quimioterapia venosa ou oral?

Nos últimos três meses, não vacinar.

Há mais de três meses, vacinar.

7 - Fez uso de medicamento anti-célulaB (como Rituximabe) e Fludarabina?

Nos últimos seis meses, contraindicar a vacina.

Há mais de seis meses: vacinar.

8 - Está realizando radioterapia no momento atual?

Sim - Contraindicar a vacina.

Não – Vacinar.

9. Faz uso de corticoide oral em dose considerada alta (acima de 2mg/Kg/dia ou acima de 20mg/dia) por mais de 15 dias?

Sim – Contraindicar a vacina e orientar que, após a interrupção do corticoide nasdoses relatadas acima, aguardarpor 4semanasantesdevacinar.

Não – Vacinar.

10 - Foi submetido a Transplante de Célula Progenitora da Medula Óssea (TCPMO) nos últimos 24 meses?

Sim – Contraindicar a vacina.

Não - Vacinar.

11. Em caso afirmativo de (TCPMO), após 24 meses, houve recaída?

Sim - Contraindicar a vacina.

Não – Vacinar.

12 - Apresenta Síndrome Mieloproliferativa Crônica?

SIM – Administrar a vacina se a doença estiver estável.

13 - Apresenta doença falciforme?

Sim, sem uso de hidroxiureia — administrar a vacina.

Sim, em uso de hidroxiureia — administrar a vacina somente se a contagem de neutrófilos for superior a 1500 céls/mm³.

14 - Apresenta hemofilia ou outras doenças hemorrágicas hereditárias?

Pode ser administrada a vacina. Recomenda-se o uso de gelo antes e depois da aplicação.

15 - Está amamentando?

Sim - crianças com mais de seis meses de vida, vacinar.

Em crianças menores de seis meses, avaliar risco epidemiológico (como o local próximo).

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