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Docentes da FID estão em greve por falta de pagamento

Os estudantes estão preocupados, pois não há previsão para o encerramento do período na Faculdade Internacional do Delta
Fonte: Professores e alunos | Editor: Alinny Maria 20/12/2018 11:43
Faculdade Internacional do Delta Faculdade Internacional do DeltaFoto: Google Maps

Os docentes da Faculdade Internacional do Delta (FID), instituição de ensino privada situada em Parnaíba, no litoral do Piauí, estão em greve por tempo indeterminado desde o dia 5 de dezembro. A greve foi decretada após assembleia realizada pelo Sindicato dos Professores e Auxiliares da Administração Escolar do Estado do Piauí (Sinpro/PI) juntamente com a categoria no dia 30 de novembro. Os principais motivos do movimento grevista são a falta de pagamentos de salários, 13º, férias e falta de depósitos do FGTS e INSS, e melhores condições de trabalho. Os acadêmicos estão aflitos com a situação e também cobram soluções.

Os professores alegam total descaso por parte da administração da instituição, pois os alunos são os principais prejudicados e não há previsão para encerrar o período 2018.2, consequentemente os alunos que irão se formar ainda não conseguiram apresentar seus trabalhos de Conclusão de Curso (TCC).

O diretor acadêmico e professor da Faculdade Internacional do Delta, Josenias dos Santos Silva, trabalha na instituição há sete anos e está à frente do movimento. “A situação é complexa, desde o dia 5 de dezembro estamos em greve por razoes financeiras e intransigência da administração em não negociar com a categoria, além do descaso com a própria educação e com os alunos. Estamos publicando uma carta aberta hoje para explicar para a comunidade acadêmica, já que a Administração não se posiciona sobre o problema. O fato é que a educação é tratada como mercado, como negócio, e os profissionais da educação sendo precarizados”, denuncia o professor.

Josenias ressalta denuncia ainda que além do não pagamento de salários, recolhimento do INSS, FGTS. 13º e férias, a FID tem professores sem contratação efetiva. “Infelizmente o curso de Serviço Social conta com professores sem carteira assinada, uma forma de contratação muito precária. O curso de história tem professores de até 10 anos na instituição e estão paralisados. Infelizmente chega dezembro e está todo mundo indignado com a situação. Os alunos estão sendo prejudicados, mas também estão conosco nesta causa”.

Os estudantes da faculdade apoiam as reivindicações dos professores, mas querem que o problema seja solucionado rapidamente. “Desde o começo do período, 2018.2, a gente percebe que a faculdade está meio diferente. Os professores começaram a faltar, é ar-condicionado queimado, a estrutura física não está lá essas coisas e daí foi feito uma reunião com o Corpo Docente e participação de alguns alunos. Nessa reunião foi noticiado que os professores estavam com os salários atrasados e com isso eles começaram a faltar. A situação pirou e os professores começaram a faltar de vez. Há duas semanas foi protocolado um documento e iniciada a greve. O Sindicato dos Professores não estava conseguindo acordo com a faculdade”, diz o estudante de História, Rodrigo Oliveira, de 24 anos.

Rodrigo não esconde a preocupação e o medo em perder o período. Ele diz que se sente desamparado. “Ontem meu professor disse que a faculdade fez uma proposta “imoral” e eles não aceitaram. Então não tem prazo para a greve terminar e a gente está prejudicado, a gente tá com medo do que possa acontecer conosco, o 2018.2 não terminou ainda, o período está incerto e a gente não sabe se vai dá continuidade em 2019. A gente está desamparado e a faculdade não dá uma posição para a gente. O nosso único recurso foi colocar isso para a imprensa, porque eles não vão querer pegar a fama de faculdade fracassada, quem sabe assim dão uma resposta para a gente. Pagamos a mensalidade certinho”, conclui o jovem.

Na Carta Aberta, a categoria diz que a estratégia dos administradores é não reconhecer a crise que a Faculdade passa e não conversar de forma harmoniosa com os profissionais que lá trabalham, além da comunidade acadêmica que depositou confiança na seriedade e qualidade da instituição.

"O resultado imediato disso é o problema ora apresentado, assim como a queda na qualidade do que vem sendo ofertado à comunidade acadêmica em termos de ensino e infraestrutura, vide o último resultado do Índice Geral de Cursos (IGC) e Conceito Preliminar de Curso (CPC) do MEC, com a queda de 4 para 3 na nota da instituição. Diante do exposto, contamos com o apoio e compreensão de todos, mas seguimos a nossa luta por uma educação de qualidade, que só pode ser concretizada com a valorização dos trabalhadores”, diz trecho da carta.

Carta aberta

OUTRO LADO

Nota de esclarecimento

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