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Desastre de Mariana se torna ponto central de eleições em cidades afetadas

Quando a barragem de Mariana (MG) ruiu, em novembro de 2015, o prefeito Duarte Júnior (PPS) sentiu um desespero enorme
Fonte: Folha de São Paulo | Editor: Paulo Brandão 29/08/2016 15:40 - Atualizado em 30/10/2016 07:09
Mariana MarianaFoto: www.superbac.com.br

Quando a barragem de Mariana (MG) ruiu, em novembro de 2015, o prefeito Duarte Júnior (PPS) sentiu "um desespero enorme".

Estava no cargo havia menos de cinco meses e teve que assumir o ônus de lidar com a maior tragédia ambiental do Brasil.

Agora, tenta reeleição e, como outros prefeitos que tiveram grande exposição após o rompimento, defende como legado as ações que tomou no período.

Como eles, sente no bolso a ausência de recursos que a Samarco trazia ao município e faz campanha pela volta de suas operações.

Nos dias seguintes ao desastre, Júnior monitorou ações da Defesa Civil de resgate e abrigo de vítimas. Meses depois, encampou uma busca por recursos para a cidade e chegou a se reunir com o presidente interino Michel Temer.

Desde a tragédia, Mariana viu sua principal receita minguar, segundo a prefeitura, em mais de R$ 3 milhões mensais e o número de desempregados atingir o patamar de 13 mil pessoas –a população da cidade é de 60 mil.

Para os adversários, o prefeito não é capaz de gerir a crise financeira e fez o município perder turistas por "passar uma imagem de que a sede havia sido destruída".

"O acidente aconteceu a 30 km da cidade, mas esse prefeito fez propaganda de miséria com Mariana, e afastou as pessoas daqui. Parecíamos que estávamos numa situação de pedintes, de miseráveis, e não era isso", diz Martha Rodrigues (PTB), principal candidata da oposição.

Ela representa forças políticas que se uniram contra Duarte Júnior. O atual prefeito foi eleito em 2012 como vice, mas o seu parceiro de chapa, Celso Cota, teve o mandato cassado e agora apoia a petebista.

Duarte Júnior concorda que a fuga de turistas é um problema para a cidade, mas diz que tem mantido um calendário de eventos para provar que a vida continua normalmente no local.

CAPIXABAS

No Espírito Santo, onde a lama chegou dias após o rompimento e causou problemas no abastecimento, o prefeito de Baixo Guandu tenta reeleição com o discurso de ter sido "o foco da resistência à Samarco".

Depois da tragédia, Neto Barros (PCdoB) bloqueou uma linha de trem da dona da mineradora, a Vale, para divulgar demandas do município. Ele diz que a atitude tornou a cidade "mais respeitada".

Seu adversário, o ex-prefeito Lastênio Cardoso (PMDB), discorda. "O que ele fez é coisa de índio", declara.

Apesar dos protestos, Barros está a favor da aceleração de um acordo com a Samarco que permita o retorno dos trabalhos da empresa. "Mas tem que haver punições claras em caso de descumprimento", afirma.

Em Anchieta, litoral capixaba, o prefeito Marcus Assad (PTB) diz que teve que fazer cortes e lançar programas emergenciais de apoio à pesca e ao turismo para minimizar o impacto da suspensão das operações da Samarco.

O município não foi atingido pela lama, mas abriga uma das sedes da empresa e depende economicamente dela.

Embora Assad declare que as atividades da mineradora têm que voltar, seus adversários acham que ele não fez o suficiente. "Ele tinha que fazer reuniões políticas e mostrar mais claramente a situação que estamos vivendo", diz o rival Fabrício Petri (PMDB).

O rompimento da barragem da Samarco matou 19 pessoas, soterrou vilarejos e deixou um rastro de destruição ambiental de 600 km.

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