Economia

Deflação: o que é e o que pode causar na economia brasileira?

A deflação pode ser prejudicial para a economia; entenda
Fonte: Noticias ao minuto | Editor: Redação 07/07/2017 13:50
Imagem ilustrativa Imagem ilustrativaFoto: Reprodução

O índice oficial de inflação do país em junho registrou queda de 0,23% nos preços, divulgou o IBGE nesta sexta-feira (7).

A deflação é o movimento de queda de preços e não ocorria no Brasil desde junho de 2006.

O economista André Chagas, da Fipe, explica que a deflação pode ser pontual ou acontecer por um período mais longo. Como um termômetro que mede a temperatura do corpo, a deflação pode sinalizar que algo não vai bem na economia e que é preciso fazer um diagnóstico.

Para ser considerada deflagração, a queda nos preços deve se estender por um período mínimo de um ano, segundo explica o economista Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB-FGV.

Os preços caem por diversos motivos. A mais comum é a recessão, que derruba a procura por certos produtos e serviços. O G1 explica que a deflação também pode vir pelo aumento da oferta, quando há um excedente de mercadorias sem pessoas dispostas a comprá-las. Outro motivo que leva os preços a cair é quando há menos moeda em circulação (pelo aumento da poupança, por exemplo).

Neste ano, fatores sazonais, conjunturais e estruturais levaram a deflação deste mês, esclarece o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), André Chagas. “Essa época do ano é caracterizada por variações mais bem comportadas nos preços”, afirma. “Particularmente, neste ano, as condições climáticas foram ainda mais favoráveis, resultando em nova safra recorde e, consequentemente, queda nos preços de alimentos”.

Chagas pontua: “A consequência é menos emprego e renda, firmas fechando e nenhum incentivo ao investimento. Some-se a isso as condições internacionais, também pouco favoráveis”, diz. Segundo o economista, esses fatores resultam em atividade muito fraca e nenhum espaço para aumento de preços. “Ao contrário, necessidade de reduzi-lo”.

No entanto, a deflação pode ser ruim para a economia brasileira. Como destaca o economista Claudio Considera, quando há expectativa de que os preços caiam, os consumidores e empresários deixam de comprar e investir, apostando que os preços cederão ainda mais no futuro. Isso alimenta uma nova queda de preços e puxa a economia para baixo. Se ninguém consome, ninguém vende, e as empresas são forçadas a ofertar seus produtos abaixo do custo, diz o economista. Vender abaixo do custo gera prejuízos e leva a demissões, nutrindo a retração da economia.

A deflação pode trazer perdas para todos os lados. Todos perdem, porém, os devedores são os mais prejudicados, especialmente os que contraíram crédito no longo prazo. Se os preços caírem muito, quem financiou um imóvel por 20 anos terá que pagar mais do que o bem passou a valer, por exemplo. Isso também compromete a atividade dos bancos, que passam a emprestar menos, com menos gente disposta a contrair empréstimos na expectativa de que os preços continuem recuando.

A deflação também pode ser combatida pelo governo. O principal mecanismo é emitir moeda e colocar mais dinheiro em circulação, que gerará alguma inflação em um período de 3 a 6 meses, esclarece Chagas. Outra estratégia é jogar a taxa de juros lá embaixo, para reanimar o consumo.

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