Polícia

Caso Camila: delegado rechaça tese de disparo acidental

Capitão-PM alegou que a arma disparou durante uma briga do casal
Fonte: Polícia Civil/DH | Editor: Paulo Pincel 01/11/2017 09:06
Perito examina o corpo de Camila Abreu. O capitão-PM Alisson Wattson, no detalhe Perito examina o corpo de Camila Abreu. O capitão-PM Alisson Wattson, no detalheFoto: Montagem

O delegado de Polícia Civil Emerson Almeida, que preside o inquérito de homicídio e ocultação de cadáver praticado contra a estudante universitária Camila Pereira de Abreu, 21 anos, pelo capitão-PM Allisson Wattson da Silva Nascimento, 37 anos, refutou a tese de “disparo acidental”, apresentada pela defesa do acusado, que está preso no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar, no bairro Ilhotas, em Teresina.

“O acusado sustenta a tese de que houve um acidente, de que houve uma discussão preliminar entre ele e sua namorada e que ela teria pego a arma dele e apontado para ele. Nesse momento, ele teria dado um golpe e, durante esse golpe, ela estaria com o dedo no gatilho e a arma teria disparado. Ele alegou que entrou em desespero, que, por ser uma pessoa ligada a ele, ele ficou em estado de choque e resolveu jogar o copo naquele local”, revelou o delegado, durante coletiva na sede da Secretária de Estado da Segurança Pública, da qual também participaram o secretário Fábio Abreu, e o delegado-geral de Polícia Civil, Riedel Batista.

Provas robustas

Emerson Almeida elencou as várias provas - inclusive vários vídeos - e depoimentos que jogam por terra toda a versão montada pela defesa de que o disparo foi acidental, principalmente a ocultação do cadáver e a tentativa de destruição de provas.

“Ele afirma que não a matou dolosamente e sim, que foi um acidente. Mas nós não acreditamos na tese dele. Pelas circunstâncias que norteiam esse caso, pelo momento dentro do veículo, ele sendo um capitão da Polícia Militar, nós acreditamos sim, que houve um homicídio e não um acidente. Nós temos o veículo, que é a prova maior, onde ela foi morta. Esse veículo se encontra apreendido e está sendo periciado. Ele foi preso temporariamente. A representação dessa prisão teve como motivo a questão do feminicídio, a impossibilidade de defesa da vítima, por ter um relacionamento anterior com a vítima e a questão da ocultação do cadáver”, relacionou o delegado.

As equipes da Delegacia de Homicídio, coordenadas pelo delegado Francisco Costa, o Barêtta, continuam em campo, trabalhando para reunir o maior número de provas e depoimentos, capazes de refutar o conteúdo do depoimento do capitão.

“Vamos fazer a perícia [no corpo da vítima] para saber se ela tentou se defender, para saber se havia alguma outra lesão no corpo. Porque o corpo estava muito deteriorado, existiam muito indícios de agressão ao corpo, que pode ter sido provocado por animais ou até mesmo pela própria ação de decomposição do corpo. Então só após essa perícia poderemos concluir o inquérito”, adiantou Emerson Almeida.

Perito examina o corpo de Camila Abreu. O capitão-PM Alisson Wattson, no detalhe
Peritos examinam o corpo de Camila Abreu no local onde foi desovado pelo capitão-PM Alisson Wattson (no detalhe)

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