Polícia

Caminhão do Exército rodou mais de 100 metros no acostamento antes de capotar

Motorista pode ter cochilado ou o caminhão ter apresentado defeito
Fonte: Redação 10/07/2017 16:05
Caminhão do Exercito tomba na PI 113 Caminhão do Exercito tomba na PI 113Foto: Reprodução/Whatsapp

O delegado Renato Pinheiro, responsável pelo inquérito que apura as circunstâncias do acidente ocorrido na rodovia PI-113, entre as cidades de Barras e Cabeceiras, no Norte do Piauí, que vitimou o do soldado do 2° Batalhão do Engenharia e Construção-BEC, Pedro Henrique de Morais Carvalho, 18 anos, descartou a possibilidade de colisão com animal ou outro veículo. Há duas hipóteses para a causa do capotamento do caminhão que levava 26 militares do BEC de Barras para Teresina: falha humana ou mecânica.

Não havia marca de freada brusca no asfalto, o que descarta alguma anormalidade no percurso do caminhão, isto é, um animal, cruzando a pista ou mesmo outro carro vindo em sentido contrário. Porém, já se sabe que o veículo percorreu um longo trecho com um dos lado do veículo rodando pelo acostamento, quando houve a capotagem.

"Em determinado momento, o caminhão ficou com apenas um dos pneus rodando na pista e os outros no acostamento, no mato. Ele rodou 30 metros assim e tentou puxar de volta. Nisso, o carro não voltou e houve o capotamento. Levando em consideração o momento em que o veículo estava com apenas um pneu na pista até o local onde o caminhão foi achado foram cerca de 120 metros", explicou o delegado Renato Pinheiro.

O laudo preliminar da perícia, realizada no local do acidente, podem revelar mais informações que apontem para a causa do acidente: falha humana ou mecânica. Segundo o delegado, os militares almoçaram e logo depois subiram no caminhão para seguir viagem.

“A presunção positiva é que eles tinham acabado de almoçar e logo após o almoço é normal aquela sensação de relaxamento e sono. Então, o motorista pode ter dormido ao volante. Mas eles estavam descansados, não tinha ninguém dobrando carga horária, voltavam para Teresina”, lembrou o delegado.

A tese de que o motorista dormiu ao volante também não se sustenta, porque na cabine do veículo viajava um oficial, que também se feriu. “Havia um outro militar na cabine do caminhão, que era um tenente. Então, se ele visse alguma coisa poderia avisar", ressaltou o delegado.

Quanto à possibilidade de falha mecânica, o delegado lembra que a manutenção dos veículos é rotina no Exército, portanto, é pouco provável que tenha havido defeito que comprometesse a dirigibilidade do caminhão.

“Mas isso não significa que possa ter havido uma falha mecânica e o caminhão tenha quebrado a barra da direção ou os freios não terem funcionado. Contudo, só a perícia poderá dizer o que ocorreu", acrescentou o delegado, lembrando que os pneus do caminhão eram novos e não estouraram no acidente.

O comandante do 2º Batalhão de Engenharia de Construção em Teresina, coronel Alessandro da Silva, determinou a abertura de inquérito para apurar as causas do acidente.

Boletim médico

O Hospital de Urgência de Teresina divulgou no final da manhã desta segunda-feira (10), um boleteim médico sobre o quadro de saúde dos quatro soldados que deram entrada ontem em estado grave com politraumatismos, três continuam internados na Unidade de Terapia Intensiva:

- Cássio Ângelo Amador da Silva, 18 anos, encontra-se grave, sob sedação contínua, intubado e em ventilação mecânica. Exames mostram edema cerebral importante e lesão axional difusa (lesão neurológica grave após trauma);

- Douglas Freire dos Santos, 20 anos, também em estado grave, sedado, intubado e em ventilação mecânica. Exames mostram fratura de mandíbula esquerda e sinais de lesão axonal difusa na tomografia de crânio. Em seguimento neurológico;

- Geovane Oliveira do Nascimento , 18 anos, permanece em estado grave, sob sedação contínua, intubado e em ventilação mecânica. Exames de imagem mostram contusão pulmonar grave. Segue em cuidados intensivos; e

- Mateus Diego da Costa, 18 anos, está estável, consciente, em ar ambiente, hemodinamicamente estável. Evoluindo até o momento sem intercorrências, mas ainda sob vigilância neurológica.

"O comando da 10ª Região em Fortaleza está deslocando uma equipe multidisciplinar com psicólogos, médicos e também da comunicação social para dar suporte aos feridos e aos seus familiares, afinal de contas são 26 famílias, muita gente envolvida", ressaltou o comandante do 2º BEC.

Velório

O velório do soldado Pedro Henrique de Morais Carvalho, 18 anos, do 2° Batalhão do Engenharia e Construção reúniu familiares e amigos, além de autoridades, oficiais e paraças dos dois batalhões do Exército 25º BC e 2º BEC. Em clima de muita tristeza, o corpo do militar foi velado na Capela de Santa Teresinha, no 25° Batalhão de Caçadores. O sepultamento aconteceu por volta das 16h, no Cemitério jardim da Ressurreição, na zona Leste de Teresina.

"Nós estamos acompanhando desde a retirada do corpo do local do acidente. Acompanhamos esse transporte, acompanhamos a família e estamos organizando tudo atendendo as necessidades e demandas. O velório também está sob os custos do exército e a guarda fúnebre estará presente", garantiu.

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