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Brasil não é único a ter exame nacional. Conheça outros "enems" pelo mundo

O número faz do Enem o segundo maior exame nacional do mundo que dá acesso ao ensino superior
Fonte: UOL | Editor: Redação 31/10/2016 09:30 - Atualizado em 21/11/2016 10:48
Enem EnemFoto: Divulgação

Mais de 8,6 milhões de estudantes de todos os estados da federação devem comparecer aos mais de 17 mil locais de provas para prestar o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) nos dias 5 e 6 de novembro.

O número faz do Enem o segundo maior exame nacional do mundo que dá acesso ao ensino superior, mobilizando cerca de 600 mil pessoas na preparação e aplicação da prova em todos os rincões do Brasil.

O nosso exame só perde para o Gaokao, o "Enem chinês", que teve a participação de mais de 9,4 milhões de estudantes este ano, segundo agência oficial de notícias da China.

Dentre os exames nacionais de ingresso à universidade, o SAT (Scholastic Aptitude Test) é um dos mais famosos. Ele seleciona estudantes interessados em estudar nas concorridas universidades norte-americanas. Mais de 1,3 milhão de estudantes participaram do teste este ano.

O UOL fez uma lista com "enems" que existem pelo mundo. Veja as principais semelhanças e diferenças deles com a versão tupiniquim.

SAT (Estados Unidos)

O Scholastic Aptitude Test, ou SAT, é um dos principais exames usados por universidades americanas para escolher candidatos. Ao contrário do Enem, que é anual, o SAT acontece seis vezes ao ano, nos meses de outubro, novembro, dezembro, janeiro, maio e junho.

"É diferente do Enem por serem provas que tentam medir mais as habilidades que conhecimentos. Ela é aplicada também fora dos Estados Unidos, para estrangeiros interessados em estudar em universidades norte-americanas, mas é a mesma para o mundo inteiro", explica Carolina Lyrio, consultora da Fundação Estudar.

O SAT é dividido em dois testes. O primeiro tem 154 questões, além da redação, e avalia a capacidade de interpretação de texto e vocabulário do estudante, assim como sua capacidade de raciocínio matemático. A segunda parte é o SAT Subject Test, ou SAT 2, cujo número de questões pode variar de 50 a 95, dependendo da área da prova, e que avalia conhecimentos específicos. Quem é estrangeiro também precisa comprovar proficiência na língua.

Elas não são aplicadas em um fim de semana, como acontece no Enem. Podem ter um intervalo de até um mês entre uma e outra. Acontecem sempre aos sábados, com quatro horas de duração. "Para mim, a prova de Ciências da Natureza do Enem foi mais difícil do que prova com as disciplinas específicas que fiz do SAT", conta Vinícius Gaby, 18, estudante de medicina da USP (Universidade de São Paulo), aprovado em biotecnologia na Universidade de Michigan.

Carolina explica ainda que, diferentemente do Enem, o exame é apenas uma parte da seleção para entrar na universidade. "Além de testes padronizados, as universidades pedem o histórico escolar, as notas do ensino médio, cartas de recomendação, participação em atividades extracurriculares", conta.

Gaokao (China)

O Gaokao, ou Exame Nacional Para o Ingresso no Ensino Superior, é o maior do mundo e este ano teve a participação de 9,4 milhões de estudantes. Assim como o Enem ele é anual e este ano aconteceu nos dias 7 e 8 de junho, uma terça e quarta-feira.

Os alunos têm nove horas, em dois dias, para responder às questões. Todos precisam resolver as provas de literatura chinesa, matemática e língua inglesa. Eles precisam optar por duas áreas específicas: ciências sociais e ciências naturais, e fazer as provas correspondentes.

Ao contrário do que acontece no Brasil, em que universidades públicas ainda realizam vestibulares próprios, o Gaokao é a única maneira dos jovens chineses entrarem na universidade. Por isso, a nota no exame é fundamental para o futuro acadêmico e profissional dos alunos chineses. Como não há vagas para todos, os dias das provas costumam ser tensos tanto para os estudantes e quanto para os pais.

Além disso, fraudar o concurso é considerado crime na China e pode dar uma pena de até sete anos de prisão.

PSU (Chile)

No Chile, os estudantes que estão terminando o ensino médio e querem ingressar na universidade precisa fazer a PSU (Prova de Seleção Unificada). Assim como o Enem, ela é anual, sempre aplicada no final do ano, em dois dias. No ano passado, aconteceu nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro, uma segunda e uma terça-feira.

Mais de 250 mil estudantes participaram da edição da PSU de 2015, deles 2.455 eram estrangeiros.

O exame é composto por duas provas obrigatórias (Linguagem e Comunicação, e Matemática). O candidato precisa escolher ao menos uma das provas eletivas, sendo elas: História, Geografia e Ciências Sociais; e Ciências, que inclui módulos específicos de Biologia, Química, Física e educação técnico-profissional.

"Cada prova tem 80 questões de múltipla escolha e a duração delas variam entre duas horas e meia e duas horas e 55 minutos, dependendo da prova. Não há perguntas em que o candidato precisa escrever uma resposta construída", explica Alejandra Osses, chefe da Unidade de Desenvolvimento e Análise da Universidade do Chile.

Baccalauréat, ou Bac (França)

Para entrar na universidade da França, o estudante precisa ter sido aprovado no Baccalauréat, ou Bac, que é bem diferente do Enem, sendo aplicado em dois momentos durante o ensino médio.

A primeira parte é aplicada no final do segundo ano, quando os alunos fazem a opção de uma especialidade de estudos que vai condicionar as provas e a importância delas com relação ao exame. "Por exemplo, na turma "S" (Científica) os alunos fazem uma prova de matemática com duração de quatro horas e com coeficiente entre 7 e 9. Na de "ES" (Econômica e Social), a matemática além de ser uma prova diferente da "S" tem coeficiente 5. Na "L" (Literária), a filosofia tem coeficiente 8, enquanto a mesma matéria tem coeficiente 4 na "ES" e 3 na "S"", explica o diretor do Lycee Français Moliere, Stephane Le Tortorec.

Essas provas são aplicadas ao longo de uma semana no mês de junho, na França.

No terceiro ano, novos testes são aplicados no final do ano letivo e são essencialmente dissertativos, com duração entre três e cinco horas. Ainda há provas de línguas estrangeiras e francês. "Os programas francês e brasileiro são muito semelhantes, o que os diferencia é o método: o bac francês privilegia a escrita. A redação de uma dissertação que pode ter um total entre cinco e 12 páginas", afirma.

Semelhante ao Sisu (Sistema de Seleção Unificada) do MEC, Le Tortorec explica que após serem aprovados no bac, os alunos precisam se inscrever no portal do Admission Post Bac, que faz a seleção das candidaturas e disponibiliza vagas para os alunos. "Na maioria dos casos, os critérios são geográficos, ou seja, a inscrição é feita em faculdades próximas dos domicílios do aluno aprovado e não em função das notas obtidas", diz.

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