Política Nacional

Bolsonaro defende PMs acusados de matar 19 trabalhadores no Pará

Pré-candidato chamou sem-terras mortos em Eldorado dos Carajás de 'canalhas' e 'vagabundos'
Fonte: Estadão Conteúdo | Editor: Paulo Pincel 14/07/2018 13:39
Bolsonaro (PSL) fez campanha na em Marabá (PA) Bolsonaro (PSL) fez campanha na em Marabá (PA)Foto: Ulisses Pompeu/Futura Press/Estadão Conteúdo... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/politica/

O pré-candidato a Presidência da República pelo PSL, Jair Bolsonaro, defendeu na sexta-feira (13) os policiais presos pela assassinato de 19 trabalhadores rurais sem-terra no chamado Massacre de Carajás. “Quem tinha que estar preso era o pessoal do MST [Movimento dos Sem Terra], gente canalha e vagabunda. Os policiais reagiram para não morrer”.

Em visita a Eldorado dos Carajás, no sudoeste do Pará, Bolsonaro defendeu os PMs acusados do massacre ocorrido em abril de 1996. Jair Bolsonaro foi até a Curva do S, um trecho da BR-155, em Eldorado dos Carajás, onde os 19 sem-terra foram mortos, dez com tiros à queima-roupa, por policiais militares comandados pelo coronel Mário Pantoja, condenado a 228 anos de prisão.

A frase foi dita por Bolsonaro, em frente a troncos de castanheiras queimados que marcam o local exato do massacre. Um grupo de policiais que acompanhava o discurso aplaudiu.

A passagem de Bolsonaro pelo Pará é marcada pela crítica à luta da terra. Na noite anterior, em jantar para uma plateia de produtores rurais e policiais, em Marabá, Bolsonaro disse que, se eleito, vai tirar o estado do "cangote" dos ruralistas, "segurar" as multas ambientais e aumentar a repressão a movimentos do campo. "Não vai ter um canalha de fiscal metendo a caneta em vocês", disse o pré-candidato.

O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, discursou antes do presidenciável. "Bolsonaro, aqui o recado da classe produtora é direto: procuramos um presidente que não nos atrapalhe e não nos persiga", disse. “Quando o senhor se tornar presidente, vê o que fará com essa gente da Funai, do Ibama, do Ministério Público, que não respeita a propriedade privada”.

Ainda nesta sexta-feira, Bolsonaro foi para a cidade vizinha de Parauapebas. Em frente a uma portaria do Complexo de Carajás, uma das maiores regiões mineradoras do país, ele discursou ao lado de uma família de índios da região. “Direitos humanos é a pipoca, pô. Os índios e os afros são brasileiros como nós. Eles não querem ser latifundiários, mas cidadãos. Se quiserem arrendar suas terras, vão arrendar. Se quiserem vender, vão poder vender”.

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