Política Nacional

Bolsonaro alega "figura de linguagem" ao incitar crime contra petistas

"Vamos fuzilar a petralhada toda aqui do Acre", disparou o candidato do PSL
Fonte: G1 | Editor: Paulo Pincel 06/09/2018 13:48
BOlsonaro segura um tripé simulando atirar com um fuzil BOlsonaro segura um tripé simulando atirar com um fuzilFoto: Reprodução/TV

O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, afirmou nesta quinta-feira (6), em Juiz de Fora – município da zona da mata mineira –, que usou uma "figura de linguagem" ao dizer que iria "fuzilar a petralhada". No último sábado (1º), durante um evento de campanha em Rio Branco, Bolsonaro declarou: "Vamos fuzilar a petralhada toda aqui do Acre!".

Nesta terça (5), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu que o candidato do PSL esclareça a declaração polêmica. A coligação O Brasil Feliz de Novo, encabeçada pelo PT, ajuizou uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo que o presidenciável do PSL responda por injúria eleitoral, incitação ao crime e ameaça.

Questionado por repórteres nesta quinta sobre a declaração polêmica, Bolsonaro foi irônico ao comentar a solicitação da procuradora-geral da República para que ele esclareça o episódio.

“Olha, eu fiz o curso do Instituto Universal Brasileiro por correspondência quando era garoto. Figura de linguagem, muito simples. [...] Figura de linguagem. Agora, o PT vive o tempo todo falando em pegar armas de outra forma. A minha, não. É varrer a petralhada, não é o petista. Tem muito petista que tá mudando para votar em mim. Caiu na real. Muda. Eu já votei no Aécio no passado. Jamais votaria agora. Então, figura de linguagem, pessoal. Nada mais além disso", disse o presidenciável.

Pedido de esclarecimentos

No parecer enviado ao STF para a ação que questiona a declaração de Bolsonaro no Acre, Raquel Dodge afirmou que não há razão para o capitão do Exército responder por injúria eleitoral, como reivindicou o PT, porque, segundo ela, o crime é específico para ofensas contra alguém em propaganda. Na mesma manifestação, a chefe do Ministério Público disse que o termo "petralhada" não personifica ninguém.

Sobre as suspeitas de incitação ao crime e ameaça, ela afirmou que é preciso avaliar melhor após esclarecimentos do deputado.

Em relação aos demais crimes noticiados na representação, para compreender o contexto e a extensão das declarações, solicito abertura de prazo para que o parlamentar representado esclareça os fatos", escreveu Raquel Dodge.

A procuradora-geral solicitou que Bolsonaro se manifeste, caso queira, e apresente documentos para esclarecer o episódio.

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