Política

Barroso: "paramos de varrer a sujeira para debaixo do tapete"

A corrupção, segundo o ministro, não começou ontem, não é de um governo
Fonte: TCE-PI | Editor: Paulo pincel 02/03/2018 16:14
Ministro do STF Luis Roberto Barroso no TCE-PI Ministro do STF Luis Roberto Barroso no TCE-PIFoto: TCE-PI

O Brasil parou de varrer a sujeira para debaixo do tapete. A afirmação do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), aconteceu nesta sexta-feira (2), durante o encerramento do I Simpósio de Inteligência Institucional do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI).

“É muito mais fácil prender um menino com 100 gramas de maconha do que prender um empresário corrupto que tenha desviado 20 milhões de reais. O menino vai preso desde antes da sentença de primeiro grau. [...] Como é difícil derrotar essa cultura, mesmo no judiciário. Acho que aos poucos nós iremos avançar, mas é preciso que a sociedade tenha consciência disso”, advertiu.

O palestrante ressaltou que há uma certa onda de negatividade no Brasil atual, não sem justas razões. "Eu devo dizer, no entanto, que essa onda não me pegou. Eu acho que, apesar de tudo, apesar de a fotografia do momento não ser alentadora, nós estamos vivendo um momento particularmente importante. A verdade é que nós paramos de varrer a poeira para debaixo do tapete", avaliou o ministro, abrindo a palestra sobre corrupção na política.

Barroso entende o atual momento como de refundação do Brasil. “Momento em que nós estamos conseguindo fazer diagnósticos adequados dos nossos grandes problemas e trabalhando para elevar o patamar da ética pública e privada da sociedade brasileira", entende.

O problema da corrupção, segundo o ministro, não começou ontem, não é de um governo. “Talvez venha desde sempre esta cultura de apropriação privada do que é público, que é o que nós precisamos transformar”, acrescentou Luis Roberto Barroso, que proferiu a palestra “Sistema Político e Custo das Eleições: As Origens da Corrupção ”.

"É uma batalha que podemos ganhar. Não é uma batalha que se vença por nocaute, é por pontos. Tem que ter resistência, persistência e dar tempo ao tempo. Mas tenho absoluta convicção que haverá um final feliz. Apesar de o momento não ser fácil, de vivermos uma crise política, econômica e ética, nós estamos andando na direção certa. Não é na velocidade desejada, mas na direção certa. Eu não cultivo nenhuma gota de pessimismo pelo que está acontecendo”, concluiu o ministro, que retornou a Brasília logo após a palestra.

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