Polícia

Juiz decreta prisão do assassino de Aretha Dantas

Em depoimento, Paulo Alves do Santos Neto alegou legítima defesa
Fonte: DHPP | Editor: Paulo Pincel 17/05/2018 12:00
Paulo Alves dos Santos Neto matou Aretha Dantas Claro Paulo Alves dos Santos Neto matou Aretha Dantas ClaroFoto: Piauihoje.com

O juiz da Central de Inquérito Luiz de Moura Correia decretou na tarde de quinta-feira (17) a prisão preventiva de Paulo Alves dos Santos Neto, acusado de matar a cabeleireira Aretha Dantas Claro na madrugada de terça-feira (15). Paulo Neto vai responder por homicídio doloso (com intenção), com as qualificadoras [agravantes] de feminicídio e fraude processual [alteração da cena do crime].

Ontem, após ouvir o acusado, a delegada Luana Alves, do Núcleo de Feminicídio da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pelo inquérito policial que investiga a morte de Aretha Dantas Claro, na madrugada de terça-feira (15), adiantou detalhes do depoimento do réu confesso de feminicídio Paulo Alves dos Santos Neto. A tese da defesa é legítima defesa.

A delegada revelou que Paulo Neto foi preso em flagrante e ainda na noite de ontem confessou a autoria do assassinato de Aretha, mas alegou que matou para se defender, já que teria sido agredido pela vítima. “Mas uma defesa com mais de 10 facadas é complicado”. Para a delegada, a "desova " do corpo na Avenida Maranhão foi uma simulação, uma tentativa de fraude processual. “Na Avenida Maranhão poderia ter sido, digamos, uma fraude processual. Ele querendo simular um atropelamento, mas a vitima estava coberta de facadas”.

O portal PIAUÍHOJE.COM separou alguns trechos da entrevista concedida aos jornalistas pela delegada, sobre o depoimento de Paulo Neto, que permanece preso. O acusado afirma que a morte aconteceu no carro, na volta de um motel, mas não explicou o sangue na área externa e em vários cômodos da casa onde o casal residiu até março deste ano, quando Aretha decidiu acabar com o relacionamento.

Paulo Alves dos Santos Neto matou Aretha Dantas Claro
Paulo Alves dos Santos Neto preso no DHPP, em Teresina [Foto: Piauihoje.com]

Morte no carro

“Ele disse que primeiramente foi agredido com uma facada na perna, mas essa é a versão dele. Que ele tem uma lesão na perna, ele tem, e ele afirma que foi a vítima. Essa é a versão dele, ele tá realmente com um machucado, o que podemos confirmar é que dentro do carro teve uma luta corporal, teve muito sangue e que ela foi morta dentro do carro”.

Legítima defesa

“De acordo com a versão dele, a faca estava no carro, o que ele diz é que ela pegou primeiro a faca e que ele pra se defender tomou a faca dela, no entanto, não justifica ele se defender e ter dado tantas facadas nela".

Reação

“Ele confessou que travou uma luta corporal dentro do carro, a versão dele é que a discussão iniciou por causa dela, que ela que iniciou a agressão, mas isso é uma versão dele, é um método de defesa dele, ele pode falar o que quiser. Nós temos muitos depoimentos de testemunhas que clareiam bastante. A versão do agressor é uma versão que está a livre disposição dele, ele não vai ser punido se ele mentir, ele vai usar o interrogatório dele também pra se defender e é praticamente para isso, no entanto a versão dele ou foi uma legítima defesa ou uma reação um pouco mais exagerada em razão de uma forte emoção, que é a versão dele, a versão que pode ter sido orientado pelos advogados”

A faca usada por Paulo Neto para matar Aretha
A faca usada por Paulo Neto para matar Aretha [Foto: Reprodução]

Motel

“No dia do crime, numa [madrugada de] segunda para terça-feira, ela se encontrou com o ex-namorado e eles foram pra alguns locais. Ele saiu de um restaurante na zona Sul, foram para um motel na zona Norte. De lá eles estavam voltando para a zona Sul, onde tiveram uma discussão e ocorreu o crime dentro do carro”.

Um trouxa

“Ele estava bastante chateado com ela, ele mostra uma sensação de inconformidade com algum comportamento dela que ele não precisou qual era, disse que estava se sentindo trouxa, em razão desse comportamento”.

Mudança

“Todo mundo já sabia e a família também nos informou que ela estava iniciando um novo relacionamento, era um relacionamento sério, era um relacionamento que queria manter a Aretha num padrão de vida, não digo padrão de vida econômico, mas eu digo a questão social, um padrão de vida social mais tranquilo, mais sereno e que a Aretha pudesse se desenvolver como pessoa, pudesse trabalhar, pudesse ter amigos, era uma pessoa que estava envolvida com a família, e que a Aretha não tinha com o Paulo”.

Má influência

“A carta, que também foi apreendida, [mostra que] ele estava muito chateado com Aretha, falava palavras que a Aretha tinha feito ele de trouxa, que não sabe porque ela tinha feito isso com ele. Ele acredita que outras pessoas interferiram para Aretha iniciar um relacionamento, mas era claro que todos não queriam que ela se relacionasse era com ele”.

Suicídio

“Dentro da casa tinha uma corda, um banco, agora se utilizou ou se só colocou lá, a versão dele é que ele estrava transtornado, e realmente deveria estar. Na casa tinha muito sangue, ele está com uma lesão muito profunda, e também tem outras cenas de que ele ameaçou se jogar da ponte, agora o que estava no íntimo dele, se ele realmente com a intenção de se matar, isso aí só ele mesmo para dizer”

Atropelamento

"Ele disse que não atropelou, mas isso a perícia que vai dizer, se o carro foi usado para atropelar essa moça".

Fuga

“Ele realmente tem parentes fora do país, a versão dele é que não iria fugir, que iria colaborar, no entanto se ele tentasse fugir do país ele seria barrado tanto no Aeroporto como na Rodoviária. Nós estamos fazendo todas as diligências, a prisão dele vai ser concluída e ele será encaminhado para a Central de Flagrantes, de lá para a penitenciária".

Paulo Alves dos Santos Neto matou Aretha Dantas Claro
Paulo e Aretha: agressões marcaram o relacionamento [Foto: arquivo pessoal/Montagem]

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