Local

Salve Rainha lança nota e diz que nudez de artistas foi protesto contra o preconceito

Os artistas também fizeram protesto contra o atual governo Temer
Fonte: Roberto Araujo | Editor: Cintia Lucas 21/09/2016 16:50 - Atualizado em 19/11/2016 12:06
Artistas Ana Larousse e Leo Fressato protagonizaram uma performance sem roupas no Parque da Cidadania Artistas Ana Larousse e Leo Fressato protagonizaram uma performance sem roupas no Parque da CidadaniaFoto: Reprodução: Instagram/ Thiago Moura

O coletivo Salve Rainha divulgou na tarde desta quarta-feira, 21, nota sobre a apresentação dos artistas curitibanos Leo Fressato e Ana Larousse que ocorreu no último domingo (18) e tem causado polêmica em Teresina. Isso por que os artistas, como forma de protesto, tiraram a roupa em determinado momento da apresentação, que ocorreu no Parque da Cidadania.

Os artistas, de acordo com nota divulgada pelo Coletivo, foram a primeira atração nacional trazida pelo grupo e fizeram um protesto contra o preconceito no Brasil. “Existe uma onda de protestos por todo o Brasil, não apenas em Teresina. Ações vêm acontecendo em qualquer tipo de evento, bem como nas Casas Parlamentares e em frente ao Supremo Tribunal Federal. Haver um protesto de artistas e do público no Parque da Cidadania faz parte desta conjuntura nacional”, diz a nota.

O grupo também argumenta que a manifestação artística ocorreu no horário após às 22 horas. “[Era] um local específico para manifestações artísticas. Uma mulher feminista, que estava protestando por igualdade de direitos, utilizando o corpo dela, após as 22h. Um homem gay vestido de drag queen, levantando a bandeira da desconstrução”, afirma o coletivo.

O episódio gerou repercussão nas redes sociais. “Para mim esse movimento cultural desrespeitosamente chamado Salve Rainha não tem nada de cultural”, afirma uma internauta. “Olha a molecagem no Parque da Cidadania... com direito a protesto #foratemer. Que lixo! Espaço público... absurdo”, comenta outro internauta em uma rede social.

O fato também provocou críticas favoráveis à ação. "Na minha opinião, a nudez não deveria causar esse impacto todo, até porque não se fica pelado apenas para fazer sexo: nascemos pelados, banhamos pelados (...).Todo ano mulheres desfilam nuas no carnaval.Não entendo onde estava a pornografia ali, mas entendo que vivemos numa cidade provinciana", desabafou uma internauta. "O que houve no domingo irá reverberar por algum tempo em The, foi uma noite incrível , emocionante, cheia de luz e brilho... Coletivo Salve Rainha está de parabéns por proporcionar essa maravilhosidade a todxs que estavam por lá.", elogiou uma usuária de rede social.

Veja a nota na íntegra

O Salve Rainha é uma tecnologia social de valorização do Patrimônio Cultural de Teresina. Assim sendo, sempre se propôs a ocupar áreas públicas e abraçar situações de vulnerabilidade, mobilizando centenas de artistas e possibilitando ao público acesso livre e gratuito às mais diversas formas de expressão e o contato com os seus criadores.

Recebemos manifestações artísticas variadas, da galeria ao palco, em dois anos de (r)evolução e força. E cada talento recebido se mostra e se revela de acordo com a sua verdade, da maneira que achar mais conveniente e apropriada para expressar a sua arte. Nós não interferimos nas apresentações, exposições, intervenções ou performances. Não fazemos ingerência sobre o que é exposto, apenas uma curadoria ao que é produzido anteriormente, sem nenhuma forma de censura. No caso de um show, por exemplo, isto seria até mesmo impraticável, por ser algo que acontece de imediato no palco e não temos como intervir previamente.

Nossos métodos não poderiam ser diferentes, afinal, qualquer forma de censura à expressão artística iria contra a natureza do nosso coletivo. Proporcionamos ao público um diálogo pacífico e respeitoso sobre os temas que são trazidos ao nosso espaço. Nós acreditamos na liberdade de expressão consagrada pela Constituição Federal, inclusive a liberdade aos artistas, como consta no Art. 5o, inciso IX: é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença.

No domingo do dia 18 de setembro recebemos com muita alegria na primeira Bienal do Salve Rainha a nossa, também primeira, atração nacional, em um local específico para manifestações artísticas. Uma mulher feminista, que estava protestando por igualdade de direitos, utilizando o corpo dela, após as 22h. Um homem gay vestido de drag queen, levantando a bandeira da desconstrução.

O que presenciamos foi a livre manifestação política dos artistas, em um momento em que o país vive uma conjuntura especial. Existe uma onda de protestos por todo o Brasil, não apenas em Teresina. Ações vem acontecendo em qualquer tipo de evento, bem como nas Casas Parlamentares e em frente ao Supremo Tribunal Federal. Haver um protesto de artistas e do público no Parque da Cidadania faz parte desta conjuntura nacional.

O coletivo Salve Rainha não tem o poder de barrar esses movimentos, que também receberam o apoio das pessoas presentes, entre homens, mulheres, cis, gays, trans e todas as chamadas minorias. Por isso, não vamos nos abater ou recuar diante dos que tentam deslegitimar uma ação que se desenvolveu na mais completa paz. Estamos conscientes dos nossos direitos e não vamos permitir desrespeito com o nosso público.

Estamos juntos, seguimos em paz e com muito amor nos nossos corações. Mantemos sempre o nosso lema: resistir, insistir e existir.

Comentários

Matérias Relacionadas