Saúde

Acidentes de carro e diabetes são as principais causas de amputação

As amputações ocorrem quando há redução do fluxo sanguíneo para os membros ou quando as artérias são estreitadas ou danificadas
Fonte: Bem Estar | Editor: Redação 27/12/2017 14:02
Prótese PróteseFoto: Google plus

Força para virar o jogo, para enxergar a vida de outro ponto de vista! A história da modelo Paola Antonini é parecida com a de milhares de brasileiros que enfrentaram, ou ainda enfrentam, o desafio de se adaptar a uma prótese. Paola perdeu a perna quando foi atropelada por uma motorista que dirigia embriagada.

O Bem Estar desta terça-feira, 26 de dezembro, convida duas médicas fisiatras, Dra. Alice Rosa e Dra. Elizabete Saito Guiotoko, para falar sobre as etapas de adaptação que os amputados enfrentam. O esforço dos profissionais de saúde para ajudar nessa conquista é bastante grande.

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Entre as principais causas de amputações no Brasil estão a diabetes e o tabagismo (entre os idosos) e as colisões e atropelamentos automobilísticos (entre os jovens).

No caso da diabetes, o controle da glicemia e os cuidados com feridas nos pés podem prevenir essa tragédia. No trânsito, se todos reduzissem a velocidade, poderiam reduzir também o potencial de mutilação e mortes. Estudos comprovam que, ao ser atropelado, o risco de morte de um pedestre é de 20% quando o veículo está transitando a 50 km/h e de 60% quando a 80 km/h. Uma pequena redução, de 5% da velocidade, pode diminuir o risco de mortes em 30%.

As amputações ocorrem quando há redução do fluxo sanguíneo para os membros ou quando as artérias são estreitadas (caso da diabetes e do tabagismo) ou são danificadas. A falta de irrigação sanguínea causa infecção e morte dos tecidos. Outras razões de amputações são cânceres e infecções. As deficiências motoras atingem 7% da população do país, segundo o Censo de 2010. Muitas pessoas sofrem com machucados que não saram nunca

Saúde dos pés

No caso dos diabéticos é muito importante estar atento. Diariamente, deve-se verificar a presença de cortes, rachaduras, inchaços, bolhas, feridas, infecções ou achados incomuns. Um espelho pode ajudar a ver a planta dos pés. Observe sempre a cor das pernas e pés, caso haja inchaço, calor ou vermelhidão ou dor, procure uma equipe de saúde. Limpe cortes ou arranhões com sabonete neutro e água e cubra com um curativo seco para pele sensível. Corte as unhas sempre em linha reta. Lave e seque bem os pés todos os dias, especialmente entre os dedos.

Aplique uma loção hidratante para a pele todos os dias e retire todos os excessos. Troque as meias também diariamente. Use sempre um sapato confortável e do tamanho adequado. Os saltos devem ser baixos (menos de 5 cm de altura) e procure comprá-los no fim da tarde, já que os pés costumam inchar ligeiramente ao longo do dia. Evite o frio e o calor extremo (incluindo a exposição ao sol).

Próteses

As próteses são tecnologias que substituem a função de partes do nosso corpo, como as pernas. As mais avançadas podem chegar a R$ 250 mil e o custo de manutenção, cuja frequência varia, é de 10% do valor. Infelizmente é uma realidade para poucos. A maioria das pessoas que necessita não tem acesso à próteses adequadas ou tem de esperar mais de um ano por elas. O SUS garante próteses básicas que permitem caminhar e ter uma vida normal, mas não atividades de alta performance.

O sucesso das próteses também depende das condições de saúde gerais da pessoa, seus nervos, músculos, vasos, além da reabilitação para aprender a usá-las da maneira correta. As próteses de membros superiores, como mãos, raramente são usadas por ainda não terem sensibilidade e porque invariavelmente, o paciente consegue desenvolver a capacidade de utilizar outros membros.

Órteses e meios auxiliares

Também há dificuldade no acesso às órteses, por exemplo, as utilizadas para auxiliar no posicionamento das pernas das crianças que nascem com malformação. E há restrição ainda ao acesso aos meios auxiliares de locomoção, como muletas, cadeiras de rodas e bengalas. Em relação às bengalas e muletas, há muitos erros no uso. Por exemplo, as muletas axilares já foram banidas, mas continuam sendo prescritas e compradas. O melhor são as muletas canadenses, que ficam apoiadas no antebraço.

O trabalho de reabilitação é importante para aprender a distribuir o peso. No caso das bengalas, um erro comum é usá-las no mesmo lado da lesão, quando na verdade o ideal é utilizar do lado contrário, para aliviar a carga. Outro erro é a altura da bengala, o braço tem de ficar numa posição de relaxamento, nunca retraído ou muito esticado.

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