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Vídeo inédito mostra queda de helicóptero em SP

Os vídeos contêm trechos do acidente. ATENÇÃO: as imagens são fortes!
Fonte: G1 | Editor: Redação 06/07/2017 14:28
Destroços da aeronave Destroços da aeronaveFoto: Reprodução

Um vídeo achado pelo irmão da noiva quatro dias após a queda do helicóptero em que ela estava, em São Lourenço da Serra, na Grande São Paulo, mostra o interior do helicóptero que levava a noiva Rosemeire Nascimento da Silva ao seu casamento. Os quatro ocupantes morreram no um acidente que chocou o país em dezembro de 2016.

O vídeo, que mostra o voo desde o início até a queda, já está sendo usado na investigação da Polícia Civil e da Aeronáutica. Para o advogado que representa os parentes dos mortos, as imagens apontam "erros crassos" do piloto. A empresa proprietária do helicóptero informou que não vai se manifestar. Abaixo nesta reportagem, leia o que dizem os advogados.

Além da noiva e do comandante, também estavam a bordo da aeronave o irmão de Rosemeire, Silvano Nascimento da Silva, e a fotógrafa Nayla Cristina Neves Lousada, que estava grávida de seis meses.

A câmera era levada pela fotógrafa e foi encontrada quatro dias depois por um irmão da noiva, que procurava pertences pessoais da família que teriam se perdido no local da tragédia. O equipamento foi entregue às autoridades dias depois.

O vídeo mostra o momento da decolagem, ocorrida no hangar da empresa proprietária do helicóptero, em Osasco, na Grande São Paulo, com sol e tempo aberto. Eram 16h de 4 de dezembro de 2016 e Rosemeire faria uma surpresa ao noivo, Udirley Damasceno, chegando voando ao buffet onde o casamento seria realizado.

Após 21 minutos de voo, o tempo fecha e há muita neblina. Pelo vídeo, é possível perceber que, nos quatro minutos e 45 segundos seguintes, o piloto enfrenta dificuldades para encontrar o local onde seria celebrado o casamento, o buffet de festas Recanto Beija-Flor, alugado pela família, e também para manter a aeronave estabilizada.

O casamento

Rosemeire, que tinha 32 anos, iria fazer uma surpresa para o noivo, que a esperava no altar e não sabia que ela iria chegar voando ao buffet alugado pela família. O helicóptero caiu na Estrada da Barrinha, uma região de mata fechada próxima à Rodovia Régis Bittencourt, em 4 de dezembro de 2016. O percurso da base da empresa HCS, em Osasco, até o buffet, duraria 25 minutos e foi praticamente este o tempo até a queda.

Para realizar o sonho de chegar de helicóptero ao buffet no meio da serra, a noiva pagou R$ 1.800 em duas prestações, de R$ 1.200 e mais R$ 600, escondido do futuro marido. Segundo os advogados da família, R$ 200 deste montante foram repassados pela empresa para a HCS. “Ela dizia assim: ‘Na segunda-feira, todo mundo vai falar que sou rica’”, relembra Helaine Alves, a viúva de Silvano. Foi Helaine quem fez todos os preparativos para o voo e ajudou Rosemeire a preparação a celebração para cerca de 300 convidados.

A pequena câmera que gravou todo o voo era levada pela fotógrafa Nayla, que estava sentada na parte da frente da aeronave, à esquerda do piloto. Atrás deles estavam Silvano Silva e sua irmã.

Defesa das empresas e do piloto

Questionada pelo G1 sobre o vídeo e o acidente, a companhia Voenext, que intermediou o contrato do voo, informou, através do seu advogado, Lucas de Assis Loesch, que "não cabe à VoeNext se manifestar sobre questões técnicas ou eventuais falhas cometidas pelo piloto da aeronave. Todas as informações necessárias foram prestadas às autoridades competentes e estamos aguardando o parecer técnico das investigações". O defensor informou ainda que a empresa fez, "desde o primeiro momento, contato com as famílias, colocando à disposição toda a assistência necessária".

Já a empresa HCS, que era proprietária do helicóptero, informou através do escritório Moreira e Martarelli Advogados que não iria se manifestar neste momento sobre o caso, pois "tudo está correndo sob segredo de Justiça e estamos ajudando em tudo o que for possível".

A noiva do piloto, Ivani Queirós, afirmou que “as investigações seguem em ambas as partes” e que aguarda o resultado final das apurações para se posicionar. Já amigos e colegas do piloto Peterson Pinheiro, que inclusive trabalhava como instrutor de voo, afirmaram que ele sempre atuou de forma responsável.

O mecânico de aeronaves Wener Biazoli era amigo havia mais de três anos do piloto Peterson Pinheiro, que tinha 33 anos e era nascido em Suzano, no interior de São Paulo. Biazoli disse ao G1 não acreditar na hipótese de falha humana.

“Eu nunca vi ele cometer nenhum ato brusco como piloto. Todas as vezes que voei com ele em voos de manutenção, sempre achei um piloto prudente e me senti seguro. Ele sempre fez voos padrão. Era um bom profissional, você não vai encontrar nenhum relatório de perigo de alguma ação dele. Como profissional ele era muito bom, reunia todas as qualificações necessárias como piloto”, salientou.

“As condições meteorológicas na hora da decolagem deles eram boas, mas podem ter mudado muito rapidamente durante o percurso. Para mim, aconteceu algo quando ele se preparava para pousar, que é quando a maioria dos acidentes ocorrem. Mas tem que esperar o que a investigação do Cenipa vai dizer. Só eles, com todos os documentos e avaliações, podem apontar o que ocorreu. Não adianta as pessoas agora quererem ficar dando opiniões injustas. Tem que ter cautela”, defendeu Biazoli.

Pressão

O investigador da reserva da Aeronáutica salienta que a investigação do Cenipa, que tem como objetivo prevenir novas tragédias, deve estar buscando o motivo pelo qual o piloto prosseguiu o voo mesmo sabendo que não estava em condições visuais de prosseguir. Um dos fatores que pode estar envolvido é a pressão para cumprir a missão.

“Agora é fácil falar que ele errou e não deveria fazer isso. Mas ele sabia que estava levando uma noiva cujo sonho era chegar ao casamento, com o irmão da noiva a bordo, que ele poderia estragar a festa. Às vezes, até instintivamente, o piloto força até a barra por acreditar na missão. Ele acreditou que podia prosseguir e que logo conseguiria pousar”, disse Lupoli.

“Na verdade ele errou, ele não quis ocasionar o acidente. Ele errou porque, acredito, que ele devia estar sob pressão. Porque ele deveria ter abortado o voo ou realizado um pouso de precaução ou retornado para onde decolou. Ele é um profissional que foi contratado para terminar o voo e a tendência que ele tem para terminar o voo bem e cumprir o que ele tinha comprometido é muito grande”, salienta o investigador da reserva.

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