BLOG DO DEUSVAL

Por Deusval Lacerda

Temer blefou

*Por Deusval Lacerda de Moraes

O presidente golpista Michel Temer fingiu verdadeira a sua solene intenção de adotar a propalada austeridade fiscal no seu governo espúrio, e nada disso era verdade. Como se trata de forma governativa farsante, os seus apoiadores, apaniguados e puxa-sacos nada dizem, pois sabem que tudo não passava de ardil, de manobra governamental.

De golpe e de golpistas, por si só, não se deve levar a sério. Por isso que eu nunca levei nem levo em consideração o que eles dizem. Tudo é falácia, quando não é mentira deslavada. Pois a própria maquinação do golpe, por burlar desavergonhadamente as regras do jogo, desmerecem e desacreditam os seus chefões.

A revista chapa-branca Veja traz a matéria Torneira Aberta que diz taxativamente: "em ano eleitoral, o governo Temer amplia os gastos públicos e aumenta o seu cacife político por meio da liberação de verbas. O ajuste fiscal? Fica para o próximo presidente". E diz mais no subtítulo Gastos em alta: "o governo prevê aumentar as despesas em quase 100 bilhões de reais em 2018".

Isto quer dizer que toda a retórica da imprensa e mídia, do governo usurpador e dos bajuladores áulicos sobre o arrocho na classe trabalhadora, precarização na saúde e educação, aumento da criminalidade e sucateamento dos serviços públicos (PEC dos Gastos) e agora a castração dos direitos dos aposentados era só embromação, impostura.

O pior é como o governo vai gastar a sobra. A própria matéria diz que parte dela "trará mais cacife a Temer e seus aliados". E prossegue: "dará ao governo a folga necessária para atender aos pleitos dos seus correligionários, liberar recursos para obras e bancar o reajuste nos vencimentos do funcionalismo".

Em seguida, a reportagem revela: "Temer, apesar de sua baixíssima popularidade, ainda não descartou o sonho de concorrer à reeleição ou, ao menos, fazer um sucessor leal e defensor do seu legado. Além disso, é fundamental, para qualquer partido, formar grandes bancadas, pois as verbas do fundo eleitoral e o tempo nos programas políticos na TV e no rádio são proporcionais à representatividade no Congresso".

Ao crer-se na matéria jornalística, frisa-se ainda o que pensa o governo: fazer política com os recursos em proveito da cúpula mandatária. No que se resume as suas diretrizes: arrocho no povo para sobrar verbas para a política dos próceres golpistas. Mas a elite e a direita sempre redundaram-se no samba de uma nota só: tirar proveito das benesses oficiais até a última seiva. Pois o modelo de governar nunca passou disso.

Assim dito, tenho acertado desde o primeiro dia do golpe parlamentar-constitucional-judicial que o governo imposto ao povo brasileiro seria uma lástima. Pois oriundo de um retrocesso constitucionalizado, instalou-se no poder carregando a pecha de cúpula política incoerente por apoderar-se do que é alheio. E, de repente, veio à tona a alegoria da austeridade fiscal, que tolheu direitos e destinações de verbas públicas ao povo brasileiro para neste ano eleitoreiro fazer farra política com o erário público. Eis o mistério da fé golpista!

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