Sucessão de equívocos provocam indignação contra a PM

Infância violentada Infância violentadaFoto: Montagem

Há tempos a Polícia Militar do Piauí é carinhosamente chamada de “gloriosa”. Os últimos acontecimentos envolvendo policiais militares, no entanto, mancharam a honra e feriram de morte o passado de glória da corporação. Cidadãos de bem, que deveriam ser guardados, protegidos são executados de maneira covarde por criminosos de farda. Assassinos pagos e usando armas do Estado matam, assaltam, violentam o Piauí.

Na noite de Natal, uma família foi fuzilada por policiais militares do 5º Batalhão simplesmente por não ter obedecido a ordem para parar. O pai, que estava sem a cadeirinha no carro, tentou fugir para não ser multado e pagou caro pela sua irresponsabilidade. Ele e mãe foram baleados e a filha Emile Caetano da Costa, de 9 anos, morta. Poderia ter sido pior. Dentro do veículo havia mais duas crianças, inclusive um bebê de 9 meses.

Evandro da Silva Costa, 31 anos, foi atingido no pescoço, e Daiane Félixo Caetano, 26 anos, baleada no braço. A filha do casal não teve a mesma sorte. A menina teve o tórax perfurado por duas balas da PM. Os ferimentos nos corpos são a prova cabal de que nenhum dos tiros foi de advertência. Atiraram para matar. E mataram.

Cadê o dinheiro?

Coincidentemente, o 5º Batalhão, localizado na Ininga, na zona Leste de Teresina, é o mesmo onde estão lotados os policiais suspeitos de sumir com R$ 300 mil do assalto ao Banco do Nordeste, na quqrta-feira (20), na mesma Avenida João XXIII onde a menina de 9 anos foi baleada pelos PMs.

Outro desastre

Em novembro deste ano uma outra abordagem desastrada da PM terminou com três pessoas de uma mesma família atingidas por tiros disparados na Vila Irmã Dulce, zona Sul de Teresina. No veículo, que foi perseguido e metralhado, havia seis pessoas e um bebê de 8 meses, que estava no colo da mãe, baleada nas costas.

Comando

Conversando, na semana passada, com um oficial de alta patente da PM, que também é jornalista, questionamos o porquê dos sucessivos erros, qual a razão para tantos crimes cometidos por militares nos últimos meses. O coronel demonstrou desapontamento e atribuiu o fato à falta de comando.

Insistimos com ele de que os desatres recentes são situações isoladas, que independem de comando, mas que depõe contra a corporação. E respingam no comando. O oficial lembrou que em tempos passados, havia mais pulso, hierarquia, principalmente na punição aos que cometiam atos de indisciplina, erros de procedimentos e até crimes.

Indignação

A sociedade piauiense amanheceu assombrada, estupefata, indignada com a ação criminosa de quem é pago para dar proteção à sociedade. Tão surpresa quanto no dia em que foi preso o capitão que matou de maneira fria e covarde a estudante universitária Camila Abreu, executada sem chance de defesa com um tiro de pistola .40 [arma da PM] no rosto. Depois de matar a namorada, o criminoso rebolou o corpo no mato - como se fosse lixo - e foi para casa lavar o carro.

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