Quanta água já rolou por debaixo da ponte da Agespisa?

Edifício-sede da Agespisa, em Teresina Edifício-sede da Agespisa, em TeresinaFoto: saneamentobasico.com

O que se percebe nas entrelinhas dos discursos, contra e a favor... o que há por trás do imbróglio, do embate judicial entre poderes - Executivo e Tribunal de Contas - , dos mandados e liminares impetrados, acatados, suspensos, modificados pelo Tribunal de Justiça, uma disputa que virou munição pesada para oposição no Legislativo, que vive de acusar o governo do PT no Piauí de enveredar pelos mesmo “descaminho” que levou o País à bancarrota?

Segundo a oposição, que é "pequena", segundo as lideranças governistas, mas faz um barulho danado na Assembleia Legislstiva, a gestão petista parou tudo quanto foi obra – rodoanel, duplicação de rodovias Br-343 e BR 316, viaduto da Miguel Rosa, só para citar algumas – e apostou na parceria público-privada (PPP) para resolver os problemas do Estado.

Hospitais municipais e regionais, que não atendiam à demanda de pacientes, como Justino Luz, em Floriano, começaram a ser “privatizados”, como acusou a oposição. Terminais rodoviários caindo as pedaço em Teresina, Floriano e Picos foram entregues à iniciativa privada e passaram a cobrar taxas dos permissionários e tarifas de embarque dos passageiros exorbitantes, mesmo sem um prego ter sido batido nas obras.

Enquanto os adversários do governador Wellington Dias batem com força no governo dele na tribuna e nas televisões, os governistas fingem que não é com eles. Mas todos sabemos: tem muita coisa acontecendo.

Uma batalha velada vem sendo travada nos bastidores do poder para fazer valer ou mudar o resultado de uma licitação internacional de R$ 1,7 bilhão - a maior em curso no País da Lava-Jato, onde a corrupção virou carimbo.

O Piauí, a população de Teresina, sem água e sem esgoto, assiste diariamente aos capítulos dessa "guerra" surda, onde não falta é interesse. “Advogados” de defesa e de acusação se revezam nas tribunas e na mídia, defendendo o resultado do processo (questionado na Justiça pelo lado derrotado) ou sugerindo uma nova licitação para a subconcessão dos serviços de abastecimento de água e de esgotamento sanitário da zona urbana (somente) de Teresina.

A pergunta que não cala: a privatização da Agespisa interessa a quem? E quanta água já rolou por debaixo dos panos, digo, da ponte?

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