Prisão Temer revela retaliação da Lava Jato ao Congresso e ao STF por poder

Eliseu Padilha, Michel Temer e Moreira Franco Eliseu Padilha, Michel Temer e Moreira FrancoFoto: Dida Sampaio/ Estadão Conteúdo

Grande parte do povo brasileiro ainda não entendeu o que está acontecendo de muito grave por trás da prisão do ex-presidente Michel Temer, do ex- ministro Moreira Franco, ambos do MDB, e do coronel PM aposentados João Batista Lima Filho. As prisões foram determinadas nesta quinta-feira (21), pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal, amigo íntimo do ministro da Justiça, Sérgio Moro e responsável pela Lava Jato no Rio de Janeiro.

Claro que a Polícia Federal não prendeu nenhum santo. Temer, Moreira Franco (Angorá), Elizeu Padilha (Elizeu Quadrilha) vêm sendo denunciados e investigados há anos por corrupção e outros crimes. Mas por que só agora foram presos? E por que não foram presos outros amigos de Temer, como Elizeu Padilha, que responde a vários processos da mesma época que os presos hoje?

Michel Temer, Moreira Franco e o também ex-ministro Elizeu Padilha, aliados com ex-presidente da Câmara e hoje presidiário Eduardo Cunha, todos do MDB, são considerados os artífices do golpe parlamentar que derrubou a presidenta Dilma Roussef e tirou o PT do governo. Contra eles existes vários inquéritos policiais e processos na justiça. E existem provas, gravações, documentos que comprovam as acusações contra eles.

Alguns importantes juristas do Brasil já estão declarando que a prisão de Michel Temer é inconstitucional. O ex- ministro da Justiça, Eugênio Aragão, acha que o ex-presidente e seu ex-ministro serão colocados em liberdade dentro de 24 anos.

Juiz Marcelo Bretas
O juiz Marcelo Bretas aasume a postura do seu amigo Sérgio Moro

Propaganda para salvar a Lava Jato

Primeiro ponto a ser observado é na área de comunicação. A propaganda das prisões só enaltece a Lava Jato em todos os canais de TV, blogs, sites, rádios e jornais da mídia tradicional. E por que isso? Para a Lava Jato tentar retomar o apoio popular que vem perdendo depois das denúncias de várias irregularidades apontadas na condução da operação pelo pessoal da chamada República de Curitiba, comandada por gente da PF, do MPF e da 13ª Vara da Justiça Federal no Paraná.

Lava Jato que emparedar o STF

Segundo: a Lava Jato, agora com auxílio mais pesado do juiz Marcelo Bretas (foto acima) , amigo de Moro, tenta emparedar, desmoralizar e colocar seus seguidores nas redes sociais contra Supremo Tribunal Federal – STF, porque agora, num lapso de retomada dos trilhos da Constituição, a corte máxima do País decidiu que cabe à Justiça Eleitoral julgar os crimes eleitorai em que envolva também crimes comuns, como lavagem de dinheiro e corrupção.

Disputa de poder

Terceiro: para os procuradores e juízes da Lava Jato, com essa decisão, o STF quer tirar deles os processos e investigações e facilitar a libertação ou absolvição de pessoas que eles escolheram para atacar de modo, inclusive ao arrepio da lei, como fizeram com ex-presidente Lula, condenado sem provas, mas só pela convicção do juiz e dos procuradores da República de Curitiba.
A decisão do STF, de deixar que a Justiça Eleitoral julgue os crimes eleitorais, gerou uma onda de reação dos defensores da Lava Jato. Muitos passaram a defender publicamente o fechamento do STF, algo impensável numa democracia. O fechamento do STF já foi defendido até por um dos filhos do presidente Jair Bolsonar, o agora deputado federal Eduardo Bolsonaro, do PSL. O mesmo foi feito pela líder do Governo na Câmara dos Deputados, deputada Joice Hasselmann, também do PSL.

Bolsonaro e Temer

Jair Bolsonaro recebeu apoio velado de Michel Temer e boa parte do MDB.

Apoio a Bolsonaro

Quarto: por que essas operações não foram feitas antes das eleições com o pessoal investigado e sem foro privilegiado, como o Coronel Baptista Lima? Porque certamente iria prejudicar a campanha de Bolsonaro, já que Temer e seu grupo debandou e passou a apoiar o candidato do PSL para evitar que o PT voltasse ao poder com Fernando Haddad.

Ganancia pelo poder

Quinto: o ex-juiz e agora ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, quer influenciar politicamente para forçar o Congresso a apoiar o governo federal e, principalmente os projetos dele. Percebendo essa ganancia de Moro pelo poder, o presidente na Câmara, deputado federal Rodrigo Maia, do DEM, resolveu peitar o ex-juiz.

Retaliação

Sexto: na quarta-feira (20), o presidente da Câmara bateu duro em Moro. Disse que ele não sabe nada de política, que é apenas um empregado do presidente Bolsonaro e que ele copia e cola projetos, como o do ministro do STF, Alexandres Moraes, que tramita na Câmara e que trata exatamente de combate ao crime organizado, tráfico de armas e de drogas.
Há quem garanta, nos bastidores do poder em Brasília, que está claro que a prisão de Temer e seus ministros, e também do Coronel Batista Lima, que seria uma reação imediata de Sérgio Moro e da turma da Lava Jato contra o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e uma forma de afrontar e amedrontar deputados e senadores. Maia é genro do ex-ministro Moreira Franco, preso com Temer.

Desgaste da Lava Jato - Nos últimos dias, a Lava Jato vinha sofrendo uma onda de ataques e perda de credibilidade e apoio popular depois da descoberta de um acordo de procuradores MPF no Paraná com a Petrobras e o Governo dos Estados Unidos. Pelo acordo a Petrobras repassaria R$ 2,5 bilhões para um fundo que seria dirigido pelo procurador Deltran Dallagnol, chefe da força tarefa no PMF do Paraná.
Os recursos são parte de uma indenização que a Petrobras se comprometeu em pagar ao Governo do EUA para pagar acionistas que acionaram a estatal brasileira na Justiça americana. O total da multa seria de R$ 3 bilhões. Destes, R$ 2,5 bilhões já estão numa conta da 13ª Vara da Justiça Federal, em Curitiba (PR).

Michel Temer com Rodrigo Maia

Maia se deu muito bem com o "Governo" de Temer. O sogro, Moreira Franco, era ministro todo poderoso

Reação e desdobramentos
- Ainda não está muito claro o que os desdobramentos da prisão de Michel Temer. São imprevistos, mas, com certeza, terá reação forte. É possível que o mais prejudicado seja o Governo Bolsonaro. Se Rodrigo Maia (Foto acima com Temer) quiser, projetos como da reforma da Previdência e pacote anti-crime de Moro poderão não ser aprovados.
E o primeiro sinal dessa reação já foi dado hoje mesmo (21.03) pelo presidente da Câmara dos Deputados. Para desgosto de Sérgio Moro, Maia indicou o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL) como relator das propostas do chamado “Pacote Anti-crime” na Câmara dos deputados.

Crítico de Bolsonaro e da Lava Jato - O deputado Marcelo Freixo é do mais ríspidos oposicionistas de Bolsonaro, aos modos da operação da Lava Jato. É um crítico ferrenho do “Estado de Exceção instalado no Brasil pela Lava Jato”. Segundo Freixo, desde que a Lava Jato resolveu perseguir e desmoralizar toda a classe política brasileira agiu com ilegalidades e perseguição política.
Coberta pelo discurso de combate à corrupção, várias irregularidades, conforme têm dito publicamente políticos de todos os partidos e renomados juristas brasileiros, a Lava Jato tem agido como uma espécie de “Tribunal Paralelo”.

Amigos calados - O ex-presidente Michel Temer tem vários amigos no Piauí. Mas nenhum quis falar sobre a prisão dele. Em 2016, quando Temer comemorava o golpe da derrubada de Dilma Roussef, alguns piauienses fora para a sala do então vice, no Palácio do Jaburu, e participaram da festa com muito alarido. Hoje, se recolheram.

Marcela Temer

A jovem Marcela com o marido nos bons tempos da imunidade no Palácio do Planalto

Auxílio-Reclusão - Outra passagem importante que marcou, nas redes sociais, um dia antes do golpe contra Dilma, foi protagonizada pela agora ex-primeira dama do País, Marcela Temer (foto acima) . Na época ela debochou e disse que Dilma deveria providenciar logo o seu Seguro Desemprego. Agora, será que Dona Marcela, a bela, recatada e do lar, já está providenciando o Auxílio Reclusão?

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Luiz Brandão

Luiz Brandão é jornalista formado pela Universidade Federal do Piauí. Está na profissão há mais de 35 anos. Já trabalhou em rádios, TVs e jornais. Foi repórter das rádios Difusora, Poty e das TVs Timon, Antares e Meio Norte. Também foi repórter dos jornais O Dia, Jornal da Manhã, O Estado, Diário do Povo e Correio do Piauí. Foi editor chefe dos jornais Correio do Piauí, O Estado e Diário do Povo. Atualmente é diretor de jornalismo do portal www.piauihoje.com

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