PF frustra oposição; fraude na licitação foi em 2014, antes da volta Wellington Dias

O delegado da Polícia Federal explica sobre a operação O delegado da Polícia Federal explica sobre a operaçãoFoto: Paulo Pincel

A Polícia Federal fez uma operação nesta quarta-feira (20) para apreensão de documentos na Secretaria de Educação do Estado. Para frustração de muita gente, a investigação não tem nada a ver com o Governo de Wellington Dias e nem com o PT. A PF apura a participação de empresários, servidores e gestores da Seduc na fraude em uma licitação realizada em 2014, no final da gestão de Wilson Martins (PSB) e no mandato tampão de de Zé Filho, na época do PMDB.

Acostumados a criar, plantar e compartilhar fakes news, pessoas ditas de direita, anti-petistas, blogueiros que agem de má-fé e outros “operários” das redes sociais, usaram suas contas no Facebook, Twitter, Instagram e Watsapp, hoje (20.03.19) para espalhar boatos, mentiras e especulações de todos os tipos tão logo souberam da operação “Boca Livre” na Seduc.


Como o PT e nem o governo estão sob investigação no caso, o ar de indignação que ganhou as redes sociais por boa parte da manhã, por pura má-fé, sumiu quando a PF divulgou do que se tratava e em que época ocorreu. A oposição, que já se preparava para descer a ripa no governo do estado na Assembleia, meteu a viola no saco e sumiu sem tocou no assunto.


Para essa gente que mantém a indústria de fakes, a maioria desocupados ou com cargos em órgãos públicos onde não pisam e muito menos trabalham, a polícia pode investigar qualquer governo e qualquer partido que não causa a menor indignação.

Mas quando há qualquer fio de suspeita contra alguém do PT ou ligado ao partido, ai o negócio muda de figura. Os "santos" entram imediatamente numa grande onda de indignação seletiva e começam os gritos de prende, bate, esfola, mata e arrebenta.

Se a operação da PF hoje (20.03.19) fosse contra pessoas ligadas ao governo estadual, mesmo que de longe, os falsos moralistas e os hipócritas, alimentados pela ausência de justiça e pela pressão da velha mídia familiar, estavam com suas caras gordas e brancas nas redes sociais esculhambando de todo jeito. Ninguém mais prestava. Todo mundo era bandido, corrupto e ladrão.

O pior é que, para esses tipos de pessoas, pode até se provar que o gato é macho, mas vão continuar dizendo que o bichano é fêmea e pronto. Só esquecem de uma coisa: que a verdade sempre vence.

A VITÓRIA DA VERDADE - Mas nesta quarta-feira (20), antes do meio dia, a verdade, mais uma vez, desmascarou esse tipo de gente. A Polícia Federal disse do que se tratava. Era a investigação para apurar indícios de fraude numa licitação iniciada em dezembro de 2013 e que previa contrato de 12 meses. O valor licitado era de R$ 5,3 milhões, pagos em setembro e outubro de 2014, às vésperas das eleições.

De acordo com a PF, o pregão presencial teria sido superfarutaro em 38%. O objetivo do pregão era a compra de alimentos para a merenda escolar do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A fraude rendeu ao esquema de corrupção montado na Seduc um total de R$ 1,7 milhão, relativo ao sobrepreço, conforme assegura a superintendente da Controladoria-Geral da União (CGU) no Piauí, Érika Lobo.

NÃO PRECISA ESPETÁCULO - As investigações e o combate a corrupção devem ser permanentes e contar com o apoio da população. Mas esse trabalho não pode e nem deve servir para alimentar correntes de ódio e perseguição, principalmente na seara política. Não se pode admitir que oportunistas se aproveitem do “mantra” do combate à corrupção para pregar ilegalidades e enxovalhar a honra das pessoas.

Por isso, se faz necessário registrar, aqui, outro ponto importante da operação da PF, nesta quarta-feira na Seduc: a forma que se tornou praxe nessas operações. Diferentemente de outras épocas, em que a PF atuava de forma discreta e silenciosa, a operação “Boca Livre”, como outras recentes, foi um espetáculo.

Na operação "Boca Livre" foi usado um enorme aparato de policiais e servidores da Controlodoria Geral da União – CGU (60 agentes e 10 fiscais), para ir à Seduc, com ampla cobertura da mídia, implesmente para pegar inofensivos papéis. Era tanta gente na operação que até parecia que os papéis fossem criminosos perigosos e pudessem fugir.

Mas esse "minuto de fama" é desnecessário. Não ajuda em nada. Apenas assusta pessoas honestas e inocentes que trabalham onde bandidos fazem a festa com dinheiro público há centenas de anos.

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Luiz Brandão

Luiz Brandão é jornalista formado pela Universidade Federal do Piauí. Está na profissão há mais de 35 anos. Já trabalhou em rádios, TVs e jornais. Foi repórter das rádios Difusora, Poty e das TVs Timon, Antares e Meio Norte. Também foi repórter dos jornais O Dia, Jornal da Manhã, O Estado, Diário do Povo e Correio do Piauí. Foi editor chefe dos jornais Correio do Piauí, O Estado e Diário do Povo. Atualmente é diretor de jornalismo do portal www.piauihoje.com

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