OLHE DIREITO!

Por Álvaro Mota

O rádio se renovado

O rádio O rádioFoto: Ascom Senac

Álvaro Fernando Mota

Advogado

O rádio foi o primeiro grande veículo de comunicação de massa. A partir dos anos 20 do século XX, passou a ser a principal forma de as pessoas serem informadas, de consumirem música e entretenimento – sobretudo as radionovelas.

Essa difusão começa no maior mercado de mídia até hoje existente, os Estados Unidos, que entre os anos 20 e 30 viveu a chamada era de ouro do rádio – período que no Brasil vai se dar nos anos 40 e 50, graças, sobretudo, ao Estado Novo (a ditadura Vargas, entre 1937 e 1945).

O rádio vai declinar como um veículo de maior importância com a chegada da televisão, que reuniu o áudio com a imagem, fazendo cair a audiência das emissoras de rádio, na mesma medida em que se reduzem as receitas publicitárias.

Mesmo após as emissoras de rádio perderem audiência e anunciantes, é claro que o espaço para este veículo foi sendo mantido, muito em razão da possibilidade de se levá-lo a todo lugar. O rádio uma mídia móvel, que se leva para toda parte – incluindo os estádios de futebol, onde o radinho de pilha virou praticamente um ícone.

O declínio de emissoras de rádio era sempre anunciado. A internet viria a ser o sepulcro high-tech do rádio, o seu fim sem choro nem vela. Não foi. Pelo contrário, deu força, ampliou a possibilidade de as rádios se expandirem para além do que atingem as ondas magnéticas. O rádio ganhou espaços a mais em computadores pessoais, em tablets, em smartphones.

Se obteve espaço a mais na internet, isso deve-se também ao fato de que o rádio sempre foi um espaço para pessoas talentosas – a ponto de no Brasil ter produzido grandes ídolos na música e nas radionovelas, que serviram como base para a TV brasileira. Mais que isso, também se tornou veículo de massa com sotaques variados, ou seja, o rádio manteve e mantém até hoje as características locais.

Se tem seus sotaques locais, o rádio no Brasil foi capaz de promover uma integração nacional. Exemplos disso não faltam, como a cadeia de rádio dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand, ou ainda a efêmera Rede da Legalidade, uma rede de emissora de rádio liderada por Leonel Brizola em favor da posse de João Goulart como presidente do Brasil, em 1964. Também nessa mesma rota, podem ser dados os exemplos da Rádio Nacional e da Rádio Nacional da Amazônia, emissoras públicas que ainda hoje prestam grande serviço ao país.

As redes de emissora seguem existindo, através de iniciativas como as das rádios Band e CBN, cujos noticiários são replicados por emissoras de rádio em todo o Brasil – Teresina incluída – e por novos serviços como pacotes de reportagens que nos chegam difundidos por emissoras independentes pelo país, valorizando o veículo rádio como um difusor de notícias.

Isso é realmente positivo quando hoje ligamos o rádio em nossos carros, a caminho ou de volta do trabalho, em qualquer cidade brasileira, e podemos ter serviços muito eficientes sobre trânsito ou clima, em tempo real, graças à participação de ouvintes, cada vez mais interagindo porque o rádio saiu do espaço próprio e agora está na internet também.

Em Teresina, felizmente, também há um crescente número de emissoras fazendo esse noticiário e prestação de serviço em todos os horários, com profissionais experientes, que compreendem esse novo momento do rádio como um veículo renovado de comunicação – um espaço que se valoriza pela necessidade que as pessoas têm de ter informação instantânea, com eficiência, credibilidade e precisão.

Álvaro Fernando da Rocha Mota é advogado. Procurador do Estado. Ex-Presidente da OAB-PI. Mestre em Direito pela UFPE. Presidente do Instituto dos Advogados Piauienses. Atual Presidente do Colégio de Presidentes dos Institutos dos Advogados do Brasil.

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Álvaro Mota

Procurador do Estado e mestre em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco - UFPE. Álvaro também é presidente do Instituto dos Advogados Piauienses.

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