O "Índio" está em campo. Mas quem vai bater o escanteio?

Governador do Piauí,  Wellington Dias Governador do Piauí, Wellington DiasFoto: João Albert

Aos 57 anos, o governador do Piauí, Wellington Dias, não é mais só um líder político estadual ou regional. O "Índio", como também é chamado, tornou-se uma liderança de renome nacional, quer queiram ou não os seus críticos e opositores.

Domingo passado (07.04), em Curitiba (PR), Wellington foi um dos destaques entre os políticos na manifestação em defesa da liberdade do ex-presidente Lula, preso há mais de um ano.

Junto de líderes reconhecidos nacionalmente, como o ex-senador Roberto Requião (MDB), o ex-prefeito Fernando Haddad, a presidente do PT, deputada Gleici Hoffmann, e o coordenador do MST, João Pedro Stédile, Wellington Dias fez um discurso que emocionou e arrancou aplausos de todos na manifestação, realizada bem ao lado da sede da Polícia Federal no Paraná, onde Lula é mantido preso.

O governador disse que naquele ato trazia a mensagem e o abraço não só do Piauí, mas de todos os estados do Nordeste ao ex-presidente. Ele repetiu o que outros oradores e a letra de uma música já haviam dito: "a Polícia prende e a luta solta", referindo-se ao que considera, hoje, a única forma de tirar Lula da prisão: a luta do povo brasileiro por justiça e paz.

O governador piauiense afirmou que é preciso ter clareza de que "só a luta solta". Para ele, não foi a Justiça quem prendeu Lula. "Quem prendeu foram magistrados e a injustiça", disse.

Ele ressaltou que todos querem o Brasil unido e em paz. Mas disse que essa desejada união e paz não serão possíveis enquanto o ex-presidente Lula estiver preso.

Dias defendeu que as lideranças visitem todos os cantos do País pra mostrar a obra e a grandeza de Lula.

"Temos de visitar o município que antes tinha o médico da família e não tem mais; visitar as universidades que estão fechando cursos e visitar as carcaças dos conjuntos habitacionais do Minha Casa, Minha Vida que vieram da época de Lula e de Dilma e que hoje estão com obras paradas", disse

O governador lembrou que a pauta do "Lula Livre" precisa ter elo com a "pauta do povo" e leu um texto do escritor português e ganhador do Nobel de Literatura, José Saramago, no qual faz um alertar sobre as características dos neofacistas.

Dias lembrou que a luta por "Lula Livre, a luta pelo Brasil livre" é a luta dos que defendem a democracia em todo o mundo. E repetiu o que sempre tem dito: que Lula não cometeu nenhum crime e é um preso político.

Wellington fez questão de dizer para Lula e para o Brasil que "o Nordeste está junto; o Nordeste estará na luta, acreditando que você (Lula) está aí porque é um preso político; não tem crime".

Cada frase dita pelo governador do Piauí, em Curitiba, domingo, era ouvida com admiração e era aplaudida. Ao final do discurso, demostrando sua liderança, o "Índio" fez com que todas as pessoas presentes ao ato em defesa de Lula ficassem de mãos dadas, numa espécie de corrente de palavras encerrada com o slogan "ninguém solta a mão de ninguém".

Essa grandeza da liderança de Wellington terá de se consolidar cada vez mais. Para isso, é necessário que os amigos e assessores mais próximos compreendam isso para poder criar uma base de sustentação mais firme e forte para ele em todo o País.

É imprescindível ficar claro que o governador precisa ser cada vez mais respeitado e admirado por todos, desde os grandes empresários da Avenida Paulista às pessoas mais humildes das cidades e do campo e das vilas e favelas espalhadas pelo Brasil. Fortalecer a imagem do "Índio" requer mais esforço, trabalho e investimentos. Ele está fazendo a parte dele. Mas não é possível, ao mesmo tempo, bater o escanteio e fazer o gol de cabeça.

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Luiz Brandão

Luiz Brandão é jornalista formado pela Universidade Federal do Piauí. Está na profissão há mais de 35 anos. Já trabalhou em rádios, TVs e jornais. Foi repórter das rádios Difusora, Poty e das TVs Timon, Antares e Meio Norte. Também foi repórter dos jornais O Dia, Jornal da Manhã, O Estado, Diário do Povo e Correio do Piauí. Foi editor chefe dos jornais Correio do Piauí, O Estado e Diário do Povo. Atualmente é diretor de jornalismo do portal www.piauihoje.com

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