OLHE DIREITO!

Por Álvaro Mota

O futuro a Deus pertence?

Por Álvaro Fernando Mota

Um dos ditados mais recorrentes entre nós, brasileiros, recomenda que “o futuro a Deus pertence”. Ocorre é que existe um outro ditado que entra em choque com o primeiro, pois nos ensina que “Deus ajuda, quem cedo madruga”. Isso significa que o futuro pertence a Deus no sentido de que a fé pode nos fazer caminhar para dias melhores, mas é sempre bom lembrar que o Evangelho ensina que a fé sem obra é uma fé morta.

O futuro, se bom ou ruim, não depende unicamente da Providência Divina, conforme se pode depreender da ideia de que “Deus ajuda quem cedo madruga”, complementada pela noção muito importante de que uma fé sem obras é morta. Então, o trabalho é tão ou mais importante que a fé na construção do amanhã.

O sentido de o futuro pertencer a Deus dá-se pela sua imprevisibilidade e pelo imponderável em nossos caminhos. Isso faz muito sentido, porque não temos o controle sobre tudo – isso, de acordo com todas as religiões, é uma possibilidade apenas para Deus, onisciente e onisciente, com um conhecimento infinito de todas as coisas e capaz de estar presente em todos os lugares.

Se a Deus não há a infalibilidade, para nós seres humanos a falha e o erro são parte da vivência, é de nossa natureza. Errar é humano, ensina a sabedoria popular, o que não é admissível é persistir no erro. E neste sentido, mais uma vez a gente pode compreender que podemos interferir no futuro se aprendemos com erros do passado e do presente.
Ora, a compreensão do erro, bem assim o trabalho como mecanismo de se tornar sólida a fé, são, por conseguinte, um modo de assegurar que o controle sobre o futuro possa ser também de cada um de nós e não somente de Deus. E como isso é possível? Pelo trabalho, pela correção de rumos, pelo esforço em não errar ou de consertar o erro.

O esforço no sentido de buscar o mínimo controle possível do que estar por vir não é, porém, tarefa simples ou fácil. Requer uma disciplina praticamente infinita para tudo, mesmo para a mais prosaica das nossas atividades diárias. Tomemos o exemplo de nossos hábitos de vida: se comemos mais ou menos, se não exercitamos mais ou menos, se estudamos ou deixamos de estudar, se negligenciamos nossas finanças, tudo terá reflexo no futuro.

Bem, podemos dizer que não serão reflexos positivos e, assim sendo, podemos estar depositando na conta de Deus um passivo de bom comportamento que é somente nosso.

O futuro a Deus pertence, sim, mas o que de bom ou de ruim pode ocorrer, seja para nós, seja para o clima, os biomas, a economia de um país, etc., não é algo para o qual a gente possa tornar Deus unicamente o responsável. Problemas que não resolvemos no presente e que se tornam problemas ainda maiores no futuro não são culpa de Deus – este poderá ser colocado como dono do futuro, seja bom, seja ruim, tão somente sobre aquilo que em circunstância alguma depende de nossas ações.

Lembremos, porém, que toda e qualquer ação humana poderá e deverá ensejar reações as mais variadas. Em circunstâncias assim, pelas razões explicáveis na Física por Newton, é melhor a gente olhar para dentro de nós e enxergar ali os culpados, deixando Deus fora disso.

Álvaro Fernando da Rocha Mota é advogado. Procurador do Estado. Ex-Presidente da OAB-PI. Mestre em Direito
pela UFPE. Presidente do Instituto dos Advogados Piauienses. Atual Presidente do Colégio de Presidentes dos Institutos dos
Advogados do Brasil.

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Álvaro Mota

Procurador do Estado e mestre em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco - UFPE. Álvaro também é presidente do Instituto dos Advogados Piauienses.

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