O Brasil precisa reinventar-se também no futebol

Por Deusval Lacerda de Moraes

Sei que é fácil apontar erros depois do fracasso, sobretudo de insucesso com as feições de tragédia nacional, como ocorreu com a desclassificado da Seleção brasileira nas quartas de final da Copa do Mundo da Rússia após a derrota para a Seleção belga.

Antes, advertia os amigos do perigo iminente, mas não acreditavam por ter sido a Seleção campeã na Olimpíada Rio de 2016 contra a poderosa Alemanha com o brilho do Neymar e ainda em razão da confiança no técnico Tite.

Mas não esquecia do triunfo do esquadrão brasileiro na Copa das Confederações FIFA de 2013 contra a campeoníssima Espanha que gerou excesso de confiança para a Copa do Brasil de 2014.

Eu não confiava em nenhum dos dois, e ainda alegava que a base da Seleção Canarinho era do time da hecatombe dos 7x1 da Copa de 2014. Não era de confiar-se!

O Tite convocou errado e escalou errado todos os jogos. O seu principal erro foi apostar num centroavante que não fez gol. Ignorância em matéria de futebol.

As cinco copas do mundo que o selecionado nacional prosperou foram marcadas pelas heróicas atuações dos seus homens gol: Vavá, Amarildo, Tostão, Romário e Ronaldo Fenômeno.

Na Copa da Rússia o atacante goleador em cinco partidas não fez sequer o gol de honra. Castigo para quem não sabe convocar, escalar nem substituir.

Mas os erros não vieram só daí, vieram também do próprio esquema tático. Não se pode reduzir a capacidade de criação daquele que era para ser o responsável pela armação e finalização das jogadas.

Pois ao prender Neymar pela esquerda, limitou-o na articulação das jogadas, por um lado ter a linha de saída da bola e, no outro, ser mais mercável devido o lateral, a cobertura do zagueiro e apoio do volante, além da maior distância da área do gol e dos jogadores de ataque. Ou seja, era para Neymar armar pelo meio, e Filipe Coutinho jogar ora pelo meio ora pela esquerda. Assim, acredito que os dois renderiam mais.

Mas a Copa da Rússia apresentou algumas surpresas que o escrete brasileiro não acompanhou. E por isso a necessidade da sua reinvenção diante da supremacia do futebol Europeu, com seus quatro semifinalistas França, Bélgica, Inglaterra e Croácia.

O que fez a diferença? O que a Alemanha fez na Copa de 2014 o feitiço virou sobre o feiticeiro, pois são equipes com futebol de talentosos goleiros, zaga alta, preparo físico extraordinário dos atletas, jogadores de longas passadas na armação rápida e fulminante, além de atacantes graúdos de grande impulsão e de boa capacidade de finalização com a cabeça e com os pés.

O Brasil se apresentou com toque de bola em demasia e com meio-campo manjado que deixa as grandes seleções européias se arrumarem na defensiva e depois projetam com agilidade o contra-ataque que em poucos passes chegam na área adversária.

Dessa forma, está resumido o fracasso da Seleção brasileira e o apogeu do futebol Europeu na Copa do Mundo da Rússia. Assim, o Brasil, além do casuísmo ultrapassado pela golpismo vigente na Nação que atravanca o Estado Democrático de Direito, para ser competitivo tem de reinventar-se também na prática do velho esporte bretão.

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