BLOG DO DEUSVAL

Por Deusval Lacerda

O Brasil dos contrastes

*Por Deusval Lacerda de Moraes

São históricos os contrastes brasileiros. Sabe-se do potencial dos recursos naturais do Brasil, no entaranto, sabe-se que o País apresenta uma das maiores desigualdades sociais do mundo.

Ainda para ilustrar, o Brasil é um dos maiores celeiros de jogadores de futebol e exportadores de craques do mundo, mas seus clubes desportivos são, via de regra, pobres, falidos ou endividados.

O Brasil tem uma das cargas tributárias mais taxadas, pesadas, do mundo, mas seus serviços públicos são de péssima qualidade, além do elevado índice de desperdício e mal investimentos no setor público.

O Brasil é auto-suficiente na produção de petróleo e seus derivados, mas o brasileiro paga um dos preços de gasolina e óleo diesel mais caros do mundo. Para ter ideia, os Estados Unidos também são auto-suficientes em petróleo e o americano paga cinco vezes menos esses preços no posto de gasolina.

Mas não fica só nisso, existem alguns contrastes que não têm mais razão de ser. Destacaria que o Brasil é repleto de manifestações populares e culturais de cunho libertário e de livre-arbítrio que sinalizam tendências inatas para a democracia, mas parcela da classe dirigente nacional não permite a consolidação plena do Estado Democrático de Direito.

Caso típico é o do
vigente golpe parlamentar-constitucional-judicial que interrompeu abruptamente o aprimoramento democrático que estava extirpando vícios atávicos da sociedade brasileira.

Fato este que gerou alguns contrastes políticos. Os golpistas, por exemplo, alardeiam que o governo espúrio veio em defesa da Nação. Como? São mal vistos em vários segmentos da população. O presidente usurpador possui a mais baixa aprovação desde a República.

Há ainda o contraste de confundir apoio da mídia para promover aventuras golpistas com apoio popular. Pois aos que atribuem responsabilidades pelos males do Brasil são aplaudidos pelo povo e os golpistas que se dizem a salvação da lavoura são vaiados e execrados pelo povão.

Assim, torna-se difícil o País superar os seus contrastes econômicos, políticos, sociais e institucionais historicamente arraigados na nacionalidade, pois os atuais usurpadores do poder que se intitulam salvadores da Pátria agem de forma contrastantes, que se resume o Brasil contemporâneo em viver de novos contrastes superpostos aos contrastes já existentes.

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