Nível do debate entre oposição e governo fica rasteiro

Deputados em plenário Deputados em plenárioFoto: Paulo Pincel

O nível do debate que já andava baixo lá pelas bandas do Palácio Petrônio Portela, ficou “rasteiro”, “subterrâneo”, durante a sessão desta terça-feira (14), quando a oposição voltou à tribuna para acusar o governador Wellington Dias de “roubar” R$ 1 bilhão dos cofres públicos.

Com um envelope pardo nas mãos, o líder da oposição na Assembleia Legislativa, deputado Robert Rios Magalhães (PDT), gritava a plenos pulmões para quem quisesse ouvir que tinha recebido do presidente do Tribunal de Contas do Estado, conselheiro Olavo Rebelo, os documentos comprovando o desvio dos recursos do empréstimo da Caixa, dos descontos dos salários dos servidores para pagamento dos empréstimos consignados e do Iaspi-Saúde e Plamta.

Rios criticou o pedido de urgência para um projeto que amplia a possibilidade de empréstimo, inclusive junto a empresas não finaceiras. “Um projeto como esse não pode ser votado e aprovado em regime de urgência. Esta Casa está sendo cúmplice de um crime. Os servidores e o povo do Piauí estão sendo roubados”, bradou.

O líder do Governo, deputado João de Deus, reagiu no mesmo tom, afirmando que vai oficiar ao presidente do TCE-PI para que Olavo Rebelo confirme - ou desminta - a denúncia do deputado oposicionista. “Nós não podemos fazer o jogo da minoria. A minoria quer prevalecer nesta Casa como se fosse maioria, o que não pode. Eu mesmo vou requisitar do presidente do Tribunal de Contas as informações sobre essas acusações que foram feiras aqui hoje. Eu divido que sejam verdadeiras”.

Rios subiu o tom e chamou João de Deus de “nono suplente”, “inocente útil”, "um poste colocado na Assembleia Legislativa pelo governador Wellington Dias”. E disparou contra os suplentes com mandato em plenário: “Quem aluga os quartos não tem moral para falar em quebra de decoro”, afirmou sobre a ameaça do líder do Governo de processo por quebra de decoro.

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Themístocles Filho (PMDB) pediu comedimento aos parlamentares paa que o nível e o respeito sejam mantidos. O deputado Cícero Magalhães (PT) também cobrou um debate de alto nível, sem ataque aos colegas de parlamento. Magalhães disse que tinha família e que nos 61 anos de vida nunca roubou ninguém e nem “alugou os quartos”.

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