BLOG DO DEUSVAL

Por Deusval Lacerda

Dom Hélder Câmara

Por Deusval Lacerda de Moraes

O vídeo acima me fez lembrar de muitas coisas boas que me ocorreram durante a minha estada de oito anos como estudante em Recife-PE durante a minha juventude. Primeiramente, D. Hélder Câmara, na época, era o arcebispo de Olinda e Recife e, nessa condição, deixou de morar no Palácio Episcopal para residir no fundo de uma Igreja da Boa Vista que era do lado do prédio da minha república estudantil, e que assisti algumas missas aos domingos com a sua celebração. Segundo, ele foi o Patrono da minha turma de formatura em Ciências Econômicas, em 1982. Depois, D. Helder foi um servo de Cristo de magnitude universal incomparável pela devoção ao sacerdócio franciscano e pelos feitos religiosos em prol da causa comunitária. Cearense ordenado padre em Fortaleza, foi bispo no Rio de Janeiro, ocasião em que fundou o Banco da Providência que, mais tarde, desaguou na Feira da Providência, em defesa das causas dos pobres e favelados. Em Recife, no seu episcopado, foi defensor intransigente dos direitos humanos, recebendo mais tarde o título de Patrono dos Direitos Humanos do Brasil. Nestes tempos de obscurantismo em que vivem muitos brasileiros, D. Helder Câmara faz muita falta na condução solidária e humana do rebanho de Jesus Cristo.

Ainda sobre D. Helder Câmara não poderia deixar de registrar que ao chegar em Recife, nos idos de março de 1976, e tão logo soube que ele morava no fundo da Igreja ao lado do prédio da nossa república estudantil, e passando pelo oitão da dita Igreja eu lia estarrecido o que estava escrito em letras maiúsculas e de cor preta, a sigla CNBB, que significa Conferência Nacional dos Bispos do Brasil., entidade que ele ajudou a fundar no País, mas que na parede da Igreja foi desrespeitosamente escrita pelos representantes da extrema-direita do Regime Militar, assim: CNBB: CAMBADA NACIONAL DOS BANDIDOS DE BATINA. Cheguei lá e vim embora, oito anos depois, e ele nunca havia sequer mandado apagar ou sobrepor outra pintura sobre a provocação hedionda. Ele era e é indubitavelmente um Santo.

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