TURISMOLOGIA

Por Francisco Correia

Conhecendo a Turquia

Suíte Gülistan, encravada na pedra, com jardim particular Suíte Gülistan, encravada na pedra, com jardim particularFoto: Fernanda Torres

Habitada há pelo menos quatro milênios, a região da Capadócia é atualmente lembrada pelos fotogênicos voos de balão ao amanhecer. Mas, para além do colorido turístico que se estende pelo céu, a paisagem do deserto turco guarda impressionantes vilas subterrâneas, esculpidas em rochas calcárias formadas por ação vulcânica. Algumas delas são tombadas como patrimônio mundial da Unesco; outras, porém, se transformaram em hotéis-butique, que recriam, com estilo, a sensação de dormir na caverna.

Piscina de pedra dependurada sobre o Vale Vermelho

É o caso do Museum Hotel , único representante do país na disputada lista Relais & Châteaux , e que tive a oportunidade de conhecer em uma viagem de oito dias ao país. O hotel fica localizado no povoado de Uçhisar, com vista para o deslumbrante Vale Vermelho, onde os balões voam todas as manhãs – o melhor ponto de observação é a piscina de pedra, que simula a sensação de borda infinita.

Como se fosse um castelo encravado na rocha de uma colina, a área possuía originalmente cerca de 60 cavernas, que abrigaram antigas comunidades nômades e os famosos e raros cavalos da raça Akhal-Tek. Após quatro anos de restauro, as ruínas deram lugar a 30 quartos e suítes esculpidos à mão, preservando a estrutura da rocha. Cada espaço é decorado individualmente com tapeçarias, sofás em estilo otomano, obras de arte e antiguidades, como cerâmicas e tapeçarias.

A suíte Harém, por exemplo, tem lareira e surpreendentes torneiras onde jorra vinho tinto – não fiquei nesta suíte por motivos óbvios de precaução, mas, sim, na Gülistan (tradução para jardim de rosas, em referência ao jardim particular), com teto de pedra abobado e jacuzzi com vista para o vale salpicado de “chaminés de bruxas”. A suíte Sultan é ainda mais impressionante, com teto solar, adega tandoor (forno tipicamente asiático subterrâneo) e um tear para a tecelagem de tapetes, todos pensados para momentos totalmente privados.

Nas áreas comuns, o restaurante Lila’s serve a tradicional comida turca em um ambiente à moda clássica do Oriente. O cardápio tem a consultoria do chef Murat Bozok, um dos mais renomados da Turquia, com destaque para entradas e pratos à base de cordeiro, queijo e iogurte de ovelha e especiarias. Com frequência, os túneis e cavernas ainda sediam vernissages e galerias de arte temporárias, com artistas locais e internacionais. Tudo observado de perto pelo fundador e proprietário, o o visionário Ömer Tosun.

As redondezas têm ainda outras opções de luxo. Na mesma viagem, jantei no Argos Hotel , em uma caverna que já abrigou um mosteiro. Reformado há três anos, a propriedade tem suítes luxuosas, a exemplo da categoria Splendid, com piscinas internas privativas. A adega subterrânea guarda uma formidável variedade de vinhos. A propriedade tem ainda jardins e terraços de onde se podem observar o céu estrelado da Capadócia.

Suíte Splendid do Argos Hotel, em um antigo mosteiro

MTur lança política nacional de qualificação de Turismo

Em parceria com a Universidade de Brasília, terceiro setor e de gestores públicos, o Ministério do Turismo lançou hoje a Política Nacional de Qualificação de Turismo — documento que visa alcançar a excelência no atendimento ao turista em seus destinos, além de traduzir os anseios e demandas do setor e, por consequência, aumentar o número de postos de trabalho no setor.

O ministro Marx Beltrão destacou a possibilidade de aumentar a empregabilidade nacional por meio do Turismo

Segundo o ministro do Turismo, Marx Beltrão, o setor é responsável por um a cada dez empregos em escala mundial, o que demonstra a dimensão da sua importância.“A qualificação se coloca como condição importante para ampliarmos a empregabilidade por meio do Turismo, além de contribuir efetivamente com os esforços do governo federal para enfrentar os desafios da educação profissional no País”, afirmou.

Para a secretária de Promoção e Qualificação do MTur, Teté Bezerra, a Política Nacional de Qualificação chega em um momento crucial para o Brasil — visto a possibilidade de auxiliar no desemprego.“Como política de Estado, ela contribui também para que o Turismo se destaque como uma atividade capaz de impulsionar o desenvolvimento econômico, gerar emprego, renda e reduzir as desigualdades regionais”, ressalta. Com medidas que deverão surtir efeitos de curto a longo prazo, para a representante da Confederação dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade na Câmara Temática de Qualificação do CNT, Vera de Morais, a nova política também vai permitir requalificar os trabalhadores e melhorar a qualidade dos serviços de quem já está no mercado.

Vale destacar que as diretrizes descritas no documento estão alinhadas às metas globais anunciadas do Plano Nacional de Turismo (PNT), também anunciadas hoje. Segundo o documento, o Brasil deverá aumentar o fluxo de turistas nacionais e internacionais, além de ampliar a receita gerada por turistas internacionais.

Fonte:Panrotas

Passeando com “Midnight in Paris”

“Midnight in Paris”

Para quem tem planos em viajar para a França e pretende conhecer Paris, fica uma dica: ver o “midnight in Paris” de Woody Allen. O filme é uma viagem pelo tempo e propõe roteiros maravilhosos pela capital francesa e seus arredores. A ideia de passear, revendo as cenas do filme, fotografando-as, seria como guardar dois álbuns distintos, sendo o mais íntimo guardado para sempre, na memória.
Claro que estar em Paris, já é uma forma de estar dentro de uma tela enorme. A cidade é tão bela e vasta, que fica até difícil escolher um ponto de partida e organizar um roteiro eficaz. Afinal, a gente fica olhando para tudo quanto é lado e acaba por não apreciar as coisas corretamente, ou não entender suas histórias, seus símbolos e suas razões.

Por um roteiro resumido, o passeio ficaria em mais ou menos 8 horas andando, com pausas para cafés, vinhos e almoço. Senão, é possível fazer outros roteiros, inclusive com automóvel, parando nos lugares, dando destaques às cenas do filme. Um bom “départ”, para um percurso resumido, seria pelo museu do Louvre, sem entrar, mas partindo do pátio externo, precisamente na área das pirâmides. Podemos começar a fotografar. Com a câmera ou com nossos próprios olhos. Podemos focar a grande pirâmide ao centro com as alas do museu aos lados.

Continuando o passeio, podemos atravessar o jardim, fotografando os lagos e suas fonts, sem deixar de apreciar e fotografar as esculturas expostas no jardim: todas são famosas e estão lá há muitos anos, inclusive a “Alexandre combattant”, de Charles Leboeuf, além de várias de Auguste Rodin, como a “Eve”, a “méditation”, “l’ombre” e a “le baiser”, expostas ao lado da “orangerie”. Claro que não podemos deixar de ver “os filhos de Caim”, de Paul Landowski, o mesmo escultor do Corcovado do Rio de Janeiro.

Passear pelo jardim de Tuilleries, ou pelas cenas do Midnight in Paris, na verdade seria somente um pretexto para visitar a orangerie e ver as “nynphéas” de Claude Monet, além das “jeunes filles au piano” de Renoir, “l’etreinte” de Picasso, vários Matisse, Derain entre outros grandes deste mundo. No caso de visita à Orangerie, melhor comprar as entradas, talvez em forma de um carnet, num pacote, incluindo o Louvre e o musée d’Orsay. Fica mais em conta.


Depois de visitarmos a orangerie, e darmos uma voltinha pela praça “Vandome”, logo ao lado da igreja da Madeleine, o melhor seria subirmos a avenida Champs Elysées, que começa na praça da Concorde, pelo lado dos números ímpares, indo para o arco do triunfo… aproveitando para fotografar o “grand palais” e o “petit palais”, sem entrarmos. Voltamos, pegamos a Avenue Montagne. Caminhamos uns 50 metros, até a praça François I. Fotos para a segunda imagem do filme, logo na segunda cena, aos sons de Sidney Brechet.


Saindo da praça, descemos a avenue Montagne, depois a avenue President Wilson e a Iena, até chegarmos ao Trocadero. Pausa para fotos… e duas opções: ou tomar um cafezinho no ‘café do trocadero’, que decora o filme por duas cenas, ou um chocolate quente no “chez Carette”, considerado o melhor chocolate quente de Paris.


Depois é só descermos pelas escadas do Trocadero, atravessarmos o rio Sena, pela ponte Alexandre III – fotos, e andarmos até o museu Rodin, ali perto dos “invalides”. Para a visita completa ao museu (10€ por pessoa), melhor deixar para um outro dia, mas poderíamos tirar algumas fotos perto do “le penseur”. Aliás, o preço para visitar os jardins é somente 4€ (com reserva obrigatória). A cena do filme, com a participação da Carla Bruni é interessante e histórica, afinal na época das filmagens, em julho de 2010, ela era a primeira dama francesa.


O caminho mais prático para ir até a ilha de ‘la cité’ seria continuar pelo cais, visitando a ponte dos artistas e a “pont neuf”, onde o personagem Gil passeia com a Adriana e começa a ter dúvidas, quanto ao seu casamento com Inez. Chegando à ilha, melhor fazermos uma pausa, para apreciar os movimentos das pessoas e observar o rio em suas margens.


Uma pausa para o almoço se impõe e a melhor coisa seria viajar no tempo, ir ao Polidor, aquele restaurante que Gil frequenta com os Fitzgerald, Hemingway e os amigos. Os menus variam entre 18 e 40€, com entrada e o prato principal. Tem vinhos ótimos.
Uma boa opção, para depois do almoço, seria caminharmos pela beira do rio Sena, visitando os “bouquinistes”, aqueles sebos de alfarrábios, e comprando algum cartão postal, ou um livro de receitas culinárias. Ou revista. Ao lado, vale a pena ir à igreja de Notre Dame e à ilha de Saint Louis. Talvez, e dependendo do tempo, um sorvetinho no Bertillon, o melhor do país.


Para terminar esta parte das visitas, uma ida rápida ao Panthéon e às escadarias da Igreja Saint-Étienne-Du-Mont, lugar onde Gil encontra, ou pensa encontrar o velho Rolls-Royce que o leva para os anos 20, aos sons dos sinos da meia-noite. A melhor coisa para terminarmos o passeio, ou a viagem pelo tempo, seria pegarmos o metrô, em direção à “porte de Clignancourt” e visitarmos os antiquários do mercado das pulgas, assim você pode procurar um velho vinyl do Cole Porter, ou um par de brincos… antes de subirmos o Montmartre, visitar a igreja de Sacré-Coeur e suas escadarias, sua praça dos artistas, o museu Salvador Dali, e degustar um bom vinho tinto sob a luz crepuscular de um fim de tarde bem francês.


E para quem gosta de cinema, que é fã de Woody Allen, já viu o filme “midnight in Paris”, e que não tem viagem marcada, a solução seria fazer um pé-de-meia e deixar o sonho se concretizar.

Outros passeios e opções são possíveis, para visitar todas as cenas do filme, como o castelo de Versalhes, a casa do Monet (80 km de Paris), o jardim de Luxembourg, e vários passeios noturnos, como o “moulin rouge”, entre outros restaurantes e bares, e os cais do rio Sena. Mas precisamos pensar, trocar uns e-mails, assim podemos montar tudo bem personalizado.

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