Caos no trânsito de Teresina é por improvisação e isso gera muito estresse e traumas

Congestionamento gigante na Avenida Barão de Gurguéia Congestionamento gigante na Avenida Barão de GurguéiaFoto: Paulo Pincel

O que o poder público municipal fez e continua fazendo com o trânsito de Teresina é uma estupidez. Tudo parece ser de improviso e sem menor planejamento. O fechamento dos retornos, por exemplo, é um horror. Criou novos e grandiosos congestionamentos onde antes o tráfego fluía com mais rapidez. O transtorno causado é tão visível que virou até motivo de piadas em shows de humor.

Outra demonstração desse improviso é o estreitamento de avenidas. Onde em qualquer lugar do mundo se pensaria em tornar as avenidas mais largas, em Teresina se faz ao contrário. A Prefeitura, até numa ação de boa vontade, criou os corredores exclusivos para ônibus. Mas, com isso, estreitou as principais ruas e avenidas da cidade e piorou a situação onde o tráfego já era conturbado.

Novas paradas de ônibus já apresentam problemas estruturais

Novos terminais de ônibus ficam vazios dia e noite

Para completar uma parte desse "conjunto obra", as belas e caras estações de ônibus viraram monstrengos no meio das avenidas. Elas parecem lugares fantasmas durante que todo o dia. Com medo de assaltos, as pessoas ficam mais fora que dentro dessas paradas. E com razão. Ninguém quer ficar encurralado, sem ter pra onde correr e buscar se livrar de uma bala.

A situação se complica mais porque as vias com faixas exclusivas para ônibus ficam quase 12 horas sem tráfego expressivo. Esses corredores poderiam ser programados para funcionar em horários de maior movimentação e depois poderiam ser liberado para o tráfego dos demais veículos. Mas essa possibilidade de controle parece ser também algo impensável na PMT.

Para aumentar o drama, os chamados terminais de integração também são alvos de queixas diárias de usuários do transporte público na capital do Piauí. Muitos dizem que esses locais se transformaram em "terminais de integra ladrões", dado o grande índice de assaltos, roubos e furtos.

Com avenidas mais estreitas, retornos fechados e todo tipo de maus tratos aos pobres mortais que utilizam veículos motorizados, as vias paralelas ou alternativas poderiam diminuir esse sofrimento. Mas parece que elas também são coisas que só existem em outro mundo.

Se por um lado as ações pioram o tráfego, por outro vem a famosa indústria da multa. A Superintendência de Trânsito da cidade parece ter só um objetivo: multar.

É muito comum os acidente e longos os congestionamentos nas ruas da nossa cidade. Mas é raro se contar com viaturas e guardas da Strans nesses momentos. É orientação zero, assim como ações educativas. O negócio mesmo é multar. E como se trata de negócios lucrativo, o serviço dos "multadores" lembra as ações de milícias.

Assim, sem críticas e cobranças mais contundentes da população e nem dos seus "representantes", o caos no trânsito vai se transformando numa coisa normal. O que não é. Prova disso é que já existem em Teresina clínica com psicólogos e outros profissionais só para cuidar de pessoas vítimas do alto nível de estresse e traumas causados pela desordem no trânsito.

Agora, imagine como seria essa desgraça toda se a cidade fosse grande. Porque a impressão que se tem é que parece proposital se fazer tudo na marra e, assim, piorar a vida dos condutores de veículos e das pessoas que dependem de transporte público.

É tipo assim: "Vou fazer essa mudança. Se prestar, bem. Se não, deixa pra lá". A certeza que se tem é que o número de acidentes não diminui como deveria, o tráfego é cada vez mais lento e que surgiram novos congestionamentos em vários pontos da cidade.

O que também se percebe com clareza é que, até agora, as mudanças no trânsito de Teresina só têm sido boas mesmo para donos de postos de combustíveis e para donos de empresas de ônibus. Essa é uma constatação recorrente entre os teresinenses. Mas se eu estiver errado, por favor me corrijam. O espaço está aberto para quem pensa diferente.

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Luiz Brandão

Luiz Brandão é jornalista formado pela Universidade Federal do Piauí. Está na profissão há mais de 35 anos. Já trabalhou em rádios, TVs e jornais. Foi repórter das rádios Difusora, Poty e das TVs Timon, Antares e Meio Norte. Também foi repórter dos jornais O Dia, Jornal da Manhã, O Estado, Diário do Povo e Correio do Piauí. Foi editor chefe dos jornais Correio do Piauí, O Estado e Diário do Povo. Atualmente é diretor de jornalismo do portal www.piauihoje.com

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