Artigo Joaquim Lourenço: Onde estão vocês?

Camisa do Brasil Camisa do BrasilFoto: Divulgação

A crise existente no país teima demoradamente a acabar. Começou, ironicamente, com a população pedindo ainda mais progresso, não queriam apenas uma Copa do Mundo ou Olimpíadas e, sim, mais hospitais, escolas e infraestrutura para a “nação do futuro”. Não estava errada nesse pedido, devendo-se sim ir atrás da melhoria.

Hoje o país afundou não só na economia, a moralidade veio junta. O mais interessante e estranho é não ver mais todos se revoltando. É uma junção de conformismo e de inércia irritantes, pois todas as conquistas são retiradas sem ao menos uma mísera manifestação decente para mostrar indignação. Os malfeitos dos corruptos são mostrados robustamente e mesmo ninguém chama para defesa do país.

Chega-se ao domínio público o absurdo de gravações com conversas sobre os acordos espúrios para livrarem-se de seus crimes, depoimentos de envolvidos mostrando a logística do esquema envolvendo vários políticos e partidos e, inacreditável, o atual presidente (envolvido até o pescoço também) em entrevista a um canal de TV confessar que todo o processo de impedimento nasceu de uma vingança mesquinha, pois o bandido que presidia a câmara dos deputados na época não conseguiu o apoio necessário.

Por muito menos a revolução francesa deu início.

O que houve? Por que em menos de dois anos aquela sede revolucionária acabou? Um patriotismo tão exacerbado não desaparece de repente. Ninguém deixa de acreditar em uma ideia tão rápido, a não ser àquilo nunca foi seu princípio norteador, isto é, foi lutar por algo não por acreditar mas por induzirem.

Espero estejam cientes de suas contribuições para estarmos nessa crise. Pois é notório que, depois de um ano da votação do impeachment, todas aquelas manifestações deram o aval necessário para os abutres voltarem ao poder e nos deixar nesta merda incalculável. Levantem-se, precisamos sair juntos desse inferno, não aguardem ordens superiores.

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