Agora investigado, Temer mantém o tom arrogante: "não renunciarei"

Presidente da República, Michel Temer Presidente da República, Michel TemerFoto: Reprodução/TV

O ainda presidente da República, Michel Temer (PMDB), fez um rápido pronunciamento à imprensa na tarde desta quinta-feira (18), quando avisou, falando alto, com o mesmo tom arrogante e prepotente de sempre, que não renuncia ao mandato. A fala de Temer aconteceu no momento em que cresciam em Brasília os rumores de que ele já tinha até pronta a carta de renúncia ao cargo.

A fala de Temer, na íntegra:

"Olha, ao cumprimentá-los, eu quero fazer uma declaração à imprensa brasileira e uma declaração ao País. E, desde logo, ressalto que só falo agora - os fatos se deram ontem - porque eu tentei conhecer, primeiramente, o conteúdo de gravações que me citam. Solicitei, aliás, oficialmente, ao Supremo Tribunal Federal, acesso a esses documentos. Mas até o presente momento não o consegui.

Quero deixar muito claro, dizendo que o meu governo viveu, nesta semana, seu melhor e seu pior momento. Os indicadores de queda da inflação, os números de retorno ao crescimento da economia e os dados de geração de empregos, criaram esperança de dias melhores. O otimismo retornava e as reformas avançavam, no Congresso Nacional. Ontem, contudo, a revelação de conversa gravada clandestinamente trouxe volta o fantasma de crise política de proporção ainda não dimensionada.

Portanto, todo um imenso esforço de retirar o País de sua maior recessão pode se tornar inútil. E nós não podemos jogar no lixo da história tanto trabalho feito em prol do País. Houve, realmente, o relato de um empresário que, por ter relações com um ex-deputado, auxiliava a família do ex-parlamentar. Não solicitei que isso acontecesse. E somente tive conhecimento desse fato nessa conversa pedida pelo empresário.

Repito e ressalto: em nenhum momento autorizei que pagassem a quem quer que seja para ficar calado. Não comprei o silêncio de ninguém. Por uma razão singelíssima: exata e precisamente porque não temo nenhuma delação, não preciso de cargo público nem de foro especial. Nada tenho a esconder, sempre honrei meu nome, na universidade, na vida pública, na vida profissional, nos meus escritos, nos meus trabalhos. E nunca autorizei, por isso mesmo, que utilizassem o meu nome indevidamente.

E por isso quero registrar enfaticamente: a investigação pedida pelo Supremo Tribunal Federal será território, onde surgirão todas as explicações. E no Supremo, demonstrarei não ter nenhum envolvimento com esses fatos.

Não renunciarei, repito, não renunciarei! Sei o que fiz e sei da correção dos meus atos. Exijo investigação plena e muito rápida, para os esclarecimentos ao povo brasileiro. Esta situação de dubiedade ou de dúvida não pode persistir por muito tempo. Se foram rápidas nas gravações clandestinas, não podem tardar nas investigações e na solução respeitantemente a estas investigações.

Tanto esforço e dificuldades superadas, meu único compromisso, meus senhores e minhas senhoras, é com o Brasil. E é só este compromisso que me guiará. Muito obrigado. Muito boa tarde a todos".

Barriga

O blogueiro Ricardo Noblat publicou uma informação, dando como certa a renúncia do presidente. "O presidente Michel Temer está pronto para anunciar sua renúncia ao cargo e deverá fazê-lo ainda hoje. Já conversou a respeito com alguns ministros de Estado e, pessoalmente, acompanha a redação do pronunciamento que informará o país a respeito", escreveu o jornalista de O Globo, jornal que publicou o conteúdo das gravações de uma conversa de Temer com o empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS.

O empresário teria gravado a conversa na qual o presidente Michel Temer dá o aval para a compra e a manutenção do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Tucano

A delação premiada da JBS também levantou suspeitas contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG), acusado de receber R$ 2 milhões do grupo empresarial JBS, um gigante do mercado da carne no Brasil e no mundo.

Pelo Facebook

Michel Temer, ao que parece, vai seguir o conselho do ex-presidente Fernando Henrioque Cardoso, que postou no Faceboook: "a solução para a grave crise atual deve dar-se no absoluto respeito à Constituição [...] Se as alegações de defesa não forem convincentes, e não basta argumentar, são necessárias evidências, os implicados terão o dever moral de facilitar a solução, ainda que com gestos de renúncia";

FHC escreveu no Face: "O país tem pressa. Não para salvar alguém ou estancar investigações.
Pressa para ver na pratica medidas econômico-sociais que deem segurança, emprego e tranquilidade aos brasileiros. E pressa, sobretudo, para restabelecer a moralidade nas instituições e na conduta dos homens públicos".

Segundo o ex-presidente, "é preciso saber com maior exatidão os fatos que afetaram tão profundamente nosso sistema político e causaram tanta indignação e decepção. É preciso dar publicidade às gravações e ao fundamento das acusações.
Os atingidos por elas têm o dever de se explicar e oferecer à opinião pública suas versões".

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